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PORTUGAL FAZ-LHE BEM

Outono/onotuO

Por estes dias, Marta Ribeiro não tem mãos a medir. É altura das colheitas, a época mais agitada para quem vive segundo os ciclos da Natureza. Mas entre a apanha dos frutos e a preparação das conservas, sorvem-se os últimos raios de sol do verão sempre que a chuva dá descanso.

por Marta Ribeiro

Estamos quase no Outono, a estação que nos grita "lembra-te que já não é Verão, mas aproveita que o Inverno ainda não chegou". A própria palavra, Outono, soa redonda, soa a recomeço, enrola-se na boca, e sai quase com igual sonoridade se a lermos de trás para a frente. Os miúdos voltam à escola, os graúdos voltam ao trabalho. A grande roda continua a girar, como na música dos Massive Attack, Hymn of the Big Wheel

 

No campo, mais que na cidade, esta estação é vital. Agora colhem-se os frutos mais tardios, como as maçãs, as uvas, os figos, os dióspiros ou os marmelos. Apanham-se as azeitonas que vão dar azeite para o ano inteiro. Recolhem-se pinhas e lenha para nos aquecer no Inverno.

 

Há uma certa melancolia e ao mesmo tempo um frenesim no ar. As árvores perdem as folhas e revelam os trocos nus, ficam num estado de letargia até chegar o quente da Primavera. As folhas secas rodopiam ao vento e acabam por cair por terra, fertilizando-a e fazendo-a brotar de vida.

 

Ao contrário da formiga, que trabalha todo o Verão, aqui laboramos todo o Outono. Porque o Verão é rigoroso de calor e o Inverno rigoroso de frio. Mas, mesmo com tanto trabalho há sempre tempo para beber os últimos raios de sol, na espreguiçadeira da pérgola virada a sul. 

 

A autora e o blogue
Entre Santarém e a serra da Lousã, Marta Ribeiro não tem muita rede. É por isso que, apesar de manter o blogue Quimaterapia desde 2007, não é uma blogger, digamos, muito assídua. O que lhe ocupa as horas é a horta por regar. É aquele pedaço de madeira ou o tecido velho que encontrou. É ver as minhocas com o filho Gaspar, ir com ele e com o marido Joaquim tomar o primeiro banho de mar ou de rio. Mãe, jornalista, artesã, fotógrafa curiosa, Marta vive a mais de 65 km de Lisboa e adora. (Ah, e Quimaterapia não tem nada a ver com doenças. São apenas as terapias do Quim e da Marta).

 

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