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PORTUGAL FAZ-LHE BEM

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Restaurante Trinca Espinhas

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Tem um dos mais bonitos cenários para uma sala de refeições - com esplanada sobre a praia - mas a decoração de interiores marítima e de bom gosto não desilude. Uma vitrine com peixe sempre fresco a puxar para a grelha rivaliza com as sugestões fixas, como a cataplana e os arrozes de marisco e cherne.

Acessos para deficientes: Sim
Ambiente e decoração: Ambiente e decoração a fazer lembrar o mar, em tons de azul e branco.
Bar/Sala de espera: Bar
Dia(s) de Encerramento: Quintas
Especialidades: Entradas: Pimentos em vinagrete; Mexilhão de escabeche; Cogumelos à Bordalesa e Favinhas com molho verde. Sopas: Sopa de peixe com cherne. Peixe: Sardinhas assadas; Massinha do mar; Cataplana de bivalves; Massa de peixe com ervas aromáticas; Arroz de tamboril; Catadupa de peixe grelhado; Bacalhau com pimentos assados; Cataplana Trinca Espinhas; Linguadinhos fritos com arroz de ovas; Choco frito à setubalense e Amêijoas à Bulhão Pato. Carne: Picanha à Brasileira; Ovos mexidos com espargos ou farinheira; Bife do lombo com três molhos à escolha; Costeletas de borrego grelhadas. Doces: Gelado de limão com vodka; Gila no forno; Doce de laranja e Mousse de laranja.
Estacionamento: Sim
Horário de Encerramento: 23:00
Lotação: 120
Preço Médio: 25.00
Recomendado para grupos: Sim
Serviços: Ar condicionado, esplanada (60 lugares)
Tipo de Restaurante: Portuguesa, Peixe e Marisco
Horário de Funcionamento: De segunda a quinta das 12:00 às 14:30. Sexta, sábado e domingo, das 12:00 às 14:30 e das 19:30 às 22:30.
Acessibilidade de deficientes motores: Acessibilidade fácil
Área para fumadores: Zona Fumadores + Zona Não Fumadores
Morada: Praia de São Torpes
Código Postal: 7520 089 SINES
Tel: 269636379
Site: www.facebook.com/Trinca-Espinhas-291653927569174
Distrito: Setúbal
Concelho: Sines
Freguesia: Sines

Trinca Espinhas - Sines


Paragem obrigatória


Bernardo Vieira

Quem segue para sul, o mais perto que pode do mar, conhece a estrada que vai de Sines para Porto Covo. Mesmo tendo pressa em chegar mais abaixo, a Vila Nova de Mil Fontes, à Zambujeira ou até a Lagos, parar aqui é uma boa acção em benefício próprio.

Durante anos, a beira desta estrada tinha velhos restaurantes. Grandes, de boa comida e fraca decoração. Era bom mas apetecia mais. Felizmente alguém percebeu isso e deu-se ao incómodo de fazer uma coisa melhor: o Trinca Espinhas.

A praia de São Torpes é suspeita. Diz-se que há um recanto com água mais quente e vêem-se ao fundo umas chaminés industriais. Por isso há quem nem se atreva a pôr os pés na areia. Fazem mal.

A água quente é limpa e estas chaminés, garantem, não fazem mal nenhum. Além disso, há o estranho cenário do Porto de Sines visto ao longe, e uma colecção de surfistas ou windsurfistas — dependendo do vento e das ondas, claro — a colorir a paisagem. 

Suspenda-se então a viagem e pare-se aqui. A entrada oficial para o restaurante faz-se pela porta virada para a estrada mas o truque é dar a volta e entrar por onde a vista é melhor, pelo lado da praia.

Na esplanada de pedra estendem-se mesas de madeira clara com cadeiras de realizador cobertas com lona beije. Encostada a uma das paredes do restaurante há uma cadeira de palha com um toldo branco, sempre ocupada por um boneco preto, confortavelmente instalado de frente parta o mar. É esperto este boneco. A alternativa, em dias de muito sol, é uma parte da esplanada mais recatada e coberta, onde se estendem longas mesas de madeira.

O único problema aqui é que quem decide ficar cá fora tem que se contentar com pouco menos de metade da lista disponível. Pratos propriamente ditos é só lá dentro. Mas com gambas grelhadas, salada de polvo ou as raras favinhas bem temperadas está-se mais que bem. E a vista. A vista sem vidros nenhuns a interromper.

Bom, mas às vezes a fome, ou a vontade de comer — que não é a mesma coisa — faz as suas exigências. E como lá dentro a vista não se estraga, o melhor é rendermo-nos ao apetite e entrar.

As mesas, tal como as cadeiras, as paredes, e até o tecto, estão pintadas de um azul desmaiado, como que manchado. A um lado há uma velha mercearia que faz inveja a quem tem em casa uma parede grande onde uma coisa assim podia caber. O resto são janelas com vidrinhos aos quadrados, protegidos por breves cortinas que não tapam a vista.

Desde que se tenha chegado antes das quatro da tarde, limite injusto para quem está de férias, almoça-se então com vista e sabor de mar. Sim, mais uma vez, a opção pela carne parece ser crime.

E o peixe aqui é tão bom. Além de também haver, entre outras coisas, um apetecível arroz de tamboril. Para rematar, e com a certeza de que depois disto tudo já não há banho para ninguém, tente-se o doce de laranja com merengue.

Depois o que se quer mesmo é ficar por ali. Talvez de novo na esplanada, até que seja noite e a vontade de comer regresse. Há praias assim, onde por alguma estranha razão apetece mais ser voyeur do que participante. E um dia inteiro entre a esplanada e a sala de jantar não parece um dia mal passado. Nada, mesmo.



REPORTAGEM ACTUALIZADA EM JULHO DE 2009


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