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Museu Nacional Ferroviário

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O Museu Nacional Ferroviário apresenta-se como um espaço de vivência coletiva, diálogo e partilha de saberes, que se abre a todos como um território de reflexão e experimentação de relações entre o património cultural e o papel histórico, simbólico e tecnológico do transporte ferroviário em Portugal. Este é um Museu de abrangência internacional, que ao contar a história do caminho de ferro em Portugal remete-nos para uma perspetiva singular da história da Europa e do Mundo. Técnica, arte e ciência cruzam-se com as narrativas das Sociedades, dos Grupos e dos Indivíduos. Inaugurado a 18 de maio de 2015.

Dia(s) de Encerramento: Segundas
Horário de visita: De terça a sábado, das 13:00 às 18:00. Domingo das 10:00 às 18:00.
Observações: Visitas à Rotunda de Locomotivas às 14:00, 15:00, 16:00 e 17:00.
Acessibilidade de deficientes motores: Acessibilidade fácil
Título:
Morada: Complexo Ferroviário do Entroncamento Apartado 190
Código Postal: 2334 909 ENTRONCAMENTO
Tel: 249130382
E-mail: geral@fmnf.pt
Site: www.fmnf.pt
Distrito: Santarém
Concelho: Entroncamento
Freguesia: Entroncamento

Museu Nacional Ferroviário – Entroncamento


A História viaja de comboio


Nelson Jerónimo Rodrigues

Cerca de 36 mil peças, entre elas as principais joias do caminho-de-ferro nacional, reúnem-se no Entroncamento e em vários núcleos pelo país para contarem o passado e o presente deste transporte. Do vapor à alta velocidade, do pequeno parafuso às máquinas de muitas toneladas, o Museu Nacional Ferroviário propõe uma viagem pelas linhas da nostalgia que percorre 160 anos. Senhores passageiros, dentro de momentos vai partir um comboio com paragem em todas as estações e apeadeiros da História.

Não é por acaso que o Museu Nacional Ferroviário está situado no Entroncamento. A cidade deve a origem e até o nome a este transporte, já que começou por ser uma simples estação, construída em meados do século XIX, junto a um entroncamento que une as linhas do Norte e do Leste. Atrás dos comboios vieram os trabalhadores, depois as famílias, e logo a seguir o comércio, ajudando a desenvolver a localidade que, entretanto, o país passou a conhecer como a terra dos fenómenos.

O epíteto não caiu mal às gentes da terra (que até passaram a exibir as abóboras gigantes e outros vegetais com formas estranhas) mas a autodenominada “Cidade Ferroviária” teve sempre uma ambição maior: receber um museu que reunisse as relíquias dos caminhos-de-ferro portugueses. A ideia demorou mais de 50 anos a ser concretizada, mas ganhou forma definitiva a 18 de maio de 2015, data em que foi inaugurado o Museu Nacional Ferroviário. No total, ocupa 4,5 hectares, distribuídos por vários espaços de um vasto complexo com 19 linhas que agora serve de fiel depositário a milhares de peças provenientes de todo o país. Se os números impressionam, espere até conhecer as histórias…

De brincadeira de príncipes a transporte do povo

A entrada no museu fica no antigo Armazém de Víveres, uma espécie de antigo supermercado para ferroviários que vendia um pouco de tudo, como alimentos, vestuário ou combustível. Hoje, este espaço acolhe a primeira parte da exposição permanente, iniciada com uma viagem virtual pelo Túnel da Velocidade, onde os visitantes têm a sensação de estar à janela de vários comboios, desde as primeiras locomotivas até aos mais rápidos do século XXI.

Já a sala seguinte lembra a importância do vapor para o desenvolvimento do caminho de ferro mundial, exibindo várias peças deste período, como uma enorme caldeira. Mas a que desperta mais curiosidade é mesmo a primeira máquina a vapor em Portugal (início do séc. XIX), uma locomotiva de brincar oferecida pela casa real francesa à congénere portuguesa que começou por fazer as delícias de príncipes como D. Pedro e D. Luís. Quando estes cresceram foi oferecida à cidade de Lisboa onde fez pequenos trajetos pelo antigo Passeio Público, hoje Avenida da Liberdade.

Como não podia deixar de ser, evoca-se também a primeira viagem de comboio em Portugal (1856), um percurso de 36 quilómetros entre Lisboa e a Vala do Carregado que durou várias horas. Mesmo assim, foi preciso soltar algumas carruagens pelo caminho, deixando muitos convidados apeados. Ainda no mesmo edifício, os visitantes descobrem o passado dos caminhos-de ferro portugueses a partir de vários contextos e perspetivas. É que se alguns objetos trazem mais saudades aos antigos funcionários, como os utensílios que utilizavam, o material de via ou os equipamentos sociais da CP (das escolas aos campos de férias), outros puxam sobretudo pelas memórias dos passageiros. Por exemplo, ainda se lembra dos antigos bilhetes de cartão para picar, dos relógios e horários das estações ou do aviso “Pare, Escute e Olhe”? Está lá tudo isso e muito mais.

As meninas a vapor e os passeios de quadriciclo

Depois do Armazém de Víveres, a visita prossegue numa zona exterior onde estão estacionadas várias carruagens de meados do século passado. A primeira foi transformada pelo coletivo de artistas P28 e agora recebe eventos, como exposições ou o ciclo de cinema Cinerail, e as outras servirão de morada a um hostel que terá dormidas a bordo. Continuando por um caminho ao ar livre que atravessa algumas linhas em funcionamento, cruzamo-nos com vários comboios de mercadorias, andando para trás e para a frente, apitando e puxando ruidosamente pelos motores, num exemplo perfeito daquilo que é um museu vivo, integrado num complexo ferroviário em plena atividade.

A dois passos dali fica a emblemática Rotunda das Locomotivas, um edifício em forma de meia lua com uma placa giratória no meio, que alberga a exposição das locomotivas a vapor. Destas, a mais antiga (Nº 135) data de 1881 mas em breve poderá ter a companhia de outra anterior, a mais antiga locomotiva a vapor existente no país, atualmente em exposição num dos vários núcleos do museu, em Nine. Apesar de ter sido batizada com o número CP02049 todos a conhecem por Andorinha, já que os ferroviários da altura não perdiam a oportunidade de dar uma alcunha às suas “meninas”. É por isso que ao lado desta estão, por exemplo, a Americana ou a Maria Alice.

No futuro, uma das mais pequenas, as chamadas Ratinhas (001 e 003), deverá ser arranjada e posta a funcionar para oferecer pequenos percursos a bordo, no interior e arredores do complexo. Por enquanto, já é possível fazer passeios em quadriciclos (também apelidados de “dresinas de motor à açorda” por serem movidos pela força dos braços), permitindo que os visitantes (miúdos e graúdos) possam conduzir este veículo numa linha a sério. Quem quiser experimentar, no último sábado de cada mês, só tem de pagar o ingresso para o museu – 5€ para visitas livres e 6€ com visitas guiadas, sendo que há um bilhete combinado com a CP que oferece 50% de desconto a quem viajar até lá de comboio e apresentar o respetivo bilhete.

Pouca terra, pouca terra, tanta História, tantas estórias

Passando pelo Espaço Entusiastas, uma carruagem destinada a eventos com os maiores fãs dos comboios, chegamos ao edifício das antigas Oficinas do Vapor, onde está a segunda parte da exposição permanente e uma série de máquinas e carruagens, entre elas as jóias da coroa dos caminhos-de-ferro portugueses. Mas já lá iremos, porque antes é tempo de conhecer mais um vasto conjunto de objetos, a começar por dezenas e dezenas de placas ferroviárias que emolduram uma parede inteira. Junto a estas lembra-se que a CP também teve barcos (para fazerem a travessia Lisboa-Barreiro) e, já no primeiro piso, recordam-se os primórdios do turismo ferroviário através de vários cartazes antigos.

Depois homenageiam-se alguns dos comboios históricos do país, como o Foguete, um dos mais rápidos da Península Ibérica (100 km/hora) no início dos anos 50 do século passado, e o Sud Express, responsável pela ligação Lisboa-Paris e símbolo da emigração para França. Ainda mais icónico é o senhor que se segue – o Comboio Real -, uma composição ferroviária construída entre 1862 e 1877, composta pela locomotiva D. Luiz Nº 1, pelo salão D. Maria Pia e pela carruagem do Príncipe. Esta última, tem um curioso sistema de ventilação natural que ajudava a resistir às temperaturas do Alentejo, já que este comboio real (o único completo na Europa) era utilizado para ligar o Barreiro e Vila Viçosa.

A visita ao Museu Nacional Ferroviário termina numa grande nave, qual baú de tesouros, com dezenas de máquinas, carruagens, vagões e quadriciclos dos séculos XIX e XX. Cada um traz atrelado várias histórias curiosas, como o Salão Pagador, uma carruagem utilizada para transportar os salários dos trabalhadores e que era muito desejada pelos ladrões. Talvez por isso, rezam as crónicas, os dois funcionários dormiam com uma linha atada entre o pulso e cofre. Famosas eram também as primeiras locomotivas elétricas em Portugal - a Amália, a Deolinda e a Celeste - batizadas com estes nomes porque tinham um apito tão alto que, quando tocava no Cais do Sodré (Lisboa), conseguiam fazer-se ouvir em Carcavelos.

Para o fim ficou guardado o famoso Comboio Presidencial, que servia a família Real Portuguesa desde os últimos anos do século XIX. Com a implantação da República passou a ser utilizado pelo chefe de Estado (ganhando a atual designação) e a última viagem especial que fez foi para transportar o corpo de Oliveira Salazar entre o Mosteiro dos Jerónimos e Santa Comba Dão. Depois de adaptado a outras funções (inclusive Comboio-Socorro) acabou no esquecimento, até que foi totalmente restaurado, fazendo a sua viagem inaugural em 2013. Um trabalho único em Portugal e bastante minucioso dado o estado de degradação das carruagens. Durante a viagem até às oficinas, uma das carruagens teve mesmo de ser envolvida em rede de pescador para não perder mais peças pelo caminho. Atualmente é utilizado para passeios turísticos, como o recente “Vila Joya no Douro”, que proporcionou um passeio gastronómico entre o Porto e o Pinhão. Depois voltou a casa, ou seja, ao Museu Nacional Ferroviário, onde juntamente com o restante espólio, convida os visitantes a fazerem uma viagem pelo valioso e surpreendente património ferroviário português. Senhores passageiros, bem-vindos a bordo.

2016-05-18
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