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Centro Ciência Viva do Alviela - Carsoscópio

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O Centro Ciência Viva do Alviela - CARSOSCÓPIO fica situado no Complexo das nascentes do Alviela, perto de Alcanena. Inserido no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, o centro une a ciência, a Natureza e a tecnologia, proporcionando aos visitantes experiências divertidas e pedagógicas. A exposição permanente foi criada pela Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Leiria e foi desenvolvida com base em tecnologia 100% portuguesa. Os conteúdos são da responsabilidade do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, do Museu Nacional de História Natural e da Universidade Aberta.

Dia(s) de Encerramento: Segundas
Horário de Funcionamento: Ciência Viva do Alviela (Visitas): 3ª-feira a Domingo das 10:00h às 18:00h (última entrada às 16:30h)
Observações: Horário das visitas: De 15 de maio a 15 de setembro: 3ª a 6ª das 10:00 às 18:00, Fins-de-semana e feriados das 11:00 às 19:00;Preços: Criança (até aos 5 anos, inclusive) - GratuitoEstudante - € 2,50Adulto - € 4,50Sénior - € 2,50Bilhete de Família (2 adultos com filhos até 17 anos) - € 10,50
Período de funcionamento: O Centro Ciência Viva do Alviela encerra nos dias 1 de Janeiro, Domingo de Páscoa e 24, 25 e 31 de Dezembro.
Acessibilidade de deficientes motores: Acessibilidade fácil
Morada: Praia Fluvial dos Olhos d`Água do Alviela
Código Postal: 2380 419 LOURICEIRA
Tel: 249881805
E-mail: info@alviela.cienciaviva.pt
Site: www.alviela.cienciaviva.pt
Distrito: Santarém
Concelho: Alcanena
Freguesia: Louriceira

Noite dos Morcegos - Alcanena


À descoberta dos guardiões das cavernas


Nelson Jerónimo Rodrigues

As grutas dos Olhos de Água, em Alcanena, escondem milhares de morcegos que escolheram a nascente do Alviela como berço. Das 12 espécies aqui existentes nove estão em vias de extinção, por isso foi instalado no local um observatório que ajuda a explicar como vivem, o que comem e como comunicam. Os visitantes costumam vigiá-los através de câmaras mas neste verão é possível segui-los até à entrada da caverna e vê-los ao vivo. Esqueça os Dráculas e venha passear com os verdadeiros morcegos.

Temidos e perseguidos durante séculos, só agora os morcegos começam a despertar curiosidade e a afastar os medos associados a vampiros e encarnações do diabo. O Centro Ciência Viva do Alviela, em Alcanena, é sítio certo para descobrir o lado real destes animais, ou não tivesse aqui instalado o maior observatório de morcegos cavernícolas da Europa.

Qualquer altura é boa para passar por lá mas o momento alto do ano acontece entre julho e agosto, quando a iniciativa Ciência Viva no Verão organiza as Noites dos Morcegos, atividade gratuita com cerca de duas horas e meia de duração. Uma vez por semana (todas as sextas-feiras, mediante inscrição) os participantes são levados até à entrada da gruta Lapa da Canada e, entre sussurros e voos rasantes, ficam a conhecer a entrada de um dos mais importantes abrigos de maternidade em Portugal.

Na pele dos morcegos

A Noite dos Morcegos começa ainda com sol, a partir das 19h30, no Centro Ciência Viva do Alviela. A bióloga Maria João encarrega-se logo de desmistificar muitas das ideias associadas a estes habitantes da escuridão, que só recentemente deixaram de ser pronúncio de morte ou sinónimo de doença e azar. Quanto a isso, a plateia não teve dúvidas mas as próximas questões já foram mais difíceis. Os morcegos são todos iguais? São cegos? Adoram sangue? Para perguntas diferentes a mesma resposta: Não, não e não. Em todo o mundo há mais de 1000 espécies diferentes (25 em Portugal; 12 nos Olhos de Água) e, ao contrário do que se pensa, têm uma excelente visão noturna, até porque caçam sobretudo à noite. Quanto à fama de sanguinários só três espécies (não existentes na Europa) são hematófagas e, mesmo assim, ficam saciadas com o equivalente a uma colher de sangue por dia.

Segue-se uma visita ao Quiroptário, espaço que recria o habitat, gostos e caraterísticas destes mamíferos que transformam os membros anteriores em asas. Aqui os visitantes encontram, por exemplo, a réplica de uma gruta, um sistema que simula as pulsações dos morcegos (15/20 por minuto em hibernação e 800 em “modo caça”) e outro dedicado à alimentação, já que chegam a consumir (por dia) metade do próprio peso. Se juntarmos todas as espécies existentes no país, isso significa milhares de toneladas de insetos a menos por ano.

Mas a maior atração deste “morcegário” é talvez o monitor com imagens (em direto ou gravadas) do interior das grutas dos Olhos de Água. Captadas por câmaras de infravermelhos (através de controlo remoto) transportam os visitantes num piscar de olhos até ao coração da colónia, sem perturbar os seus habitantes. Melhor mesmo só vê-los ao vivo, o que iremos fazer já de seguida.

Em busca dos caçadores da noite

Assim que a noite começa a cair seguimos sem mais demora até à gruta da Lapa da Canada, primeiro junto à praia fluvial dos Olhos de Água e depois por um trilho de terra batida com menos de um quilómetro. Como equipamento levamos uma pequena lanterna e um detetor de ultrassons que ajuda a distinguir as várias espécies, já que cada uma comunica através de frequências diferentes. Aos primeiros passos encontramos logo dois ou três possíveis “batedores” que vigiam os arredores da gruta e informam a colónia de eventuais ameaças.

No final da caminhada chegamos a um anfiteatro com bancos de madeira, qual sala de espetáculos em plena natureza, defronte para o interior da caverna. É por lá que a maioria dos morcegos costuma sair para caçar por isso não foi preciso esperar muito pelos primeiros. O primeiro a ser avistado foi o morcego-rato-grande, o maior de todas as espécies cavernícolas portuguesas, com cerca de 15/20 centímetros, e a mais comum por estas paragens. Mas também fomos sobrevoados por morcegos-de-peluche (não se deixe enganar pelo nome porque não são muito bonitos), morcegos-de-ferradura-grande e morcegos-de-ferradura pequeno (o nome deve-se ao formato da boca) que têm um voo lento e acrobático.

A certa altura o grupo divide-se e metade fica a ouvir as explicações da bióloga Maria João, enquanto a outra metade vai até à entrada da gruta com a geóloga Paula Carvalho para perceber como se formaram estas galerias. Lá dentro estão mais de cinco mil morcegos, a maioria fêmeas e crias de espécies em vias de extinção, num ecossistema frágil que urge preservar. No final de setembro migram para abrigos de hibernação mais frios mas estarão de regresso no próximo ano, assim que o tempo melhorar. O mesmo há de acontecer com as Noites dos Morcegos. 

2014-07-30
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