Workshop de Kizomba

Quem é que nunca foi a uma discoteca africana e sentiu-se intimidado por não saber dançar? A kizomba, ritmo tipicamente angolano também se aprende, e não só em discotecas.

A expectativa

Ainda não são 15:00h e os primeiros candidatos a “bailarinos” de kizomba já chegaram ao Dançarte. Aos poucos, o grupo vai-se compondo até se juntarem cerca de 25 pessoas em redor de Bandeira, o professor responsável pelo workshop. O objectivo é claro, aprender a dar umas passadas de Kizomba. Esta é a dança tipicamente angolana e, embora não seja muito difícil, requer alguma destreza, ritmo e muita pratica. Só se dança aos pares e torna-se necessário coordenar toda uma coreografia.

Durante dois dias é isto que será transmitido aos alunos, aprender a dar as principais passadas. É obvio que não nos transformamos nos melhores kizombistas do mundo, até porque em apenas tão curto espaço de tempo, seria prodigioso. Porém, interiorizamos conselhos úteis, e ganhamos a confiança suficiente para que da próxima vez que pisarmos a pista de dança de qualquer discoteca, não nos intimidarmos mais. O que é preciso é dançar, a todo o vapor.

Primeiros passos

Após um breve considerando teórico, Bandeira fala-nos da origem Kizomba, como se dança e da sua influência na cultura angolana.

A palestra prossegue com o professor no meio da ampla pista do Dançarte e os alunos que se distribuem ao redor em forma de U. Finalmente após alguns minutos de esclarecimentos sobre o que vamos aprender, passamos à tão ansiada acção.

Os primeiros passos são dados ainda a seco, sem par nem música. Aprende-se a posição inicial e os homens descobrem que se avança primeiro com a perna esquerda.

Logo de seguida formarem-se os primeiros pares da tarde. Homens e mulheres encaixam-se para executarem os movimentos. Até agora, So far, so good. O próximo grau de dificuldade passa pelo acrescento da música, e como as coisas até nos correm bem, temos a sensação que já bailamos sozinhos. Bem, convém não exagerar, pois até já se pisou mais do que uma vez o pé do parceiro/a, mas isso pelos vistos faz parte do acerto do ritmo, com o oportuno pedido de desculpas, evidentemente.

Como se dança

A primeira sequência consiste apenas em avançar dois passos e mais um apoio. Esquerda, direita e outra vez esquerda. Ainda sem ritmo no corpo, lá se vão cumprindo com as instruções dadas.
E como isto é a dois, o par fica de mão dada, “bem agarradinhos” como o professor gosta de frisar.

É sem maldade, mas têm de estar grudados, até porque há toda uma sequência de passes, rotações e movimentos que implicam que o homem toque com a sua anca no ventre da mulher, de modo a conduzi-la na dança, facilitando o efeito de rotação. No fundo, para as mudanças de direcção a anca serve de pivôt de apoio.

Segundo os cânones da Kizomba, cabe ao homem guiar a sua parceira. Não se trata de nenhuma concepção machista, mas é assim que a coisa funciona. Porém, em workshops como este, com participantes de nível iniciado, é possível até que um homem encontre uma mulher que dance bastante melhor e então, diz o bom senso para se deixar levar. Mas para todos os efeitos, o verdadeiro artista tem de orientar o seu par.

N'Dalo Rocha 2003-03-03

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