Évoramonte e a Barragem do Divor

Sair para conhecer uma vila cheia de história e uma barragem onde existe muito espaço por onde andar enquanto se aprecia a paisagem. Assim é, por terras do Alentejo. 

Dizem as vozes populares (as mais sabedoras destas coisas) que é pela manhã que se começa o dia. Então quando se trata de passear, o dito assenta na perfeição. Há que aproveitar o tempo, para se conhecer o máximo possível e para ir com calma, não só porque há sítios que merecem mais atenção mas também porque devagar se vai ao longe. 

Évoramonte

Empoleirada no alto de um monte de 474 metros de altitude, Évoramonte é uma povoação com características de vila medieval na zona amuralhada mas moderna, se assim se pode dizer, na parte mais baixa da vila.

Não se conhece ao certo a data de fundação deste povoado mas sabe-se que este foi o local escolhido para colónia dos primeiros eborenses que, na tentativa de distinção das duas Évoras, chamaram à outra Évora-de-Monte, o que, com o tempo se tornou em Évora-Monte ou Évoramonte.

Conta a História que Giraldo Sem Pavor conquistou o burgo a mando de D. Afonso Henriques corria o ano de 1166, mas a fortificação e a construção do castelo viriam a acontecer séculos mais tarde (1306) a mando de D. Dinis.

Rodeada por muralhas a toda a sua volta, quatro portas ainda lá se encontram à espera de quem por elas passe. E é precisamente isso que faz o viajante. Para lá chegar, há que entrar no burgo pelas Portas do Sol, a nascente, que desemboca na Rua da Convenção.

O nome advém do facto de se ter assinado numa casa dali (número 41) o tratado de paz entre liberais e absolutistas. A placa por cima da porta relembra esse facto histórico.
Aquando do terremoto de 1531 a fortaleza ficou reduzida a ruínas. No seu local foi levantada uma torre de menagem que mais parece um presente gigante devido à existência de dois laços que demarcam os três pisos que compõem a edificação.

O laço não está ali por acaso. Trata-se de um dos emblemas do brasão dos duques de Bragança. Não admira, afinal foi D. Jaime de Bragança que a mandou construir. À frente, um enorme largo de terra batida é o local mais indicado para o estacionamento do automóvel. 

A torre de menagem, cujos quatro torreões circulares saltam à vista, merece ser subida nem que seja para se ver a paisagem. Com o tempo claro vê-se Redondo, Évora, Arraiolos, Estremoz, Aviz… e muitas outras povoações não escondidas pela elevação do terreno. Tirando um ou outro monte, a planície abunda por esta zona.

Um percurso imperdível é o que se faz à volta desse muro tão antigo, não só para se ver as vistas, mas também para se ficar a conhecer toda a vila. E quando se diz conhecer, não se fala apenas dos monumentos de pedra rija mas também das pessoas e de toda uma cultura muito específica como é a alentejana.

À semelhança do que se passa por esse Alentejo fora, estão os habitantes de Évoramonte, tranquilamente sentados a apanhar sol à porta de suas casas e mirando quem passa. Ao contrário do que se passa nas cidades, nestes meios pequenos toda a gente se conhece e mesmo a quem é de fora, fica bem a típica saudação: “Boa tardi”.

Está dado o mote para a conversa. É bem provável que após os primeiros minutos o rumo da conversação vá de encontro a um convite para se comer qualquer coisita lá em casa. Gente amável, esta.

Escusado será dizer que as portas estão sempre abertas. Ao que parece, gatunos é coisa que por aqui não há. “Mas olhe que a ocasião faz o ladrão”. “A genti tamém nã saí de beira da porta”. Esclarecidos os forasteiros, segue-se o caminho. 

Paula Oliveira Silva 2002-04-09

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