Viver sem carro

Uma revolução silenciosa

Se gostas de andar sempre de rabinho tremido, tens a mania de querer lugar à porta e achas que andar a pé faz bem é aos velhinhos, trata de rever urgentemente o teu estilo de vida. O carro já deu o que tinha a dar. Prescindir dele é sinal de inteligência. Senão, repara: o mais in que pode haver é morar num bairro típico da cidade e fazer a pé ou de transportes públicos a vida de todos os dias. Fazem-se as compras na mercearia do bairro, toma-se a bica no café do Sr. António, dão-se dois dedos de conversa com os vizinhos. É o recuperar de certos hábitos de bairro que se perderam desde que as pessoas começaram a ser atiradas para os subúrbios.

Mas mesmo para quem mora na periferia, nem tudo está perdido. Qual stress do trânsito, qual luta inglória para encontrar lugar de estacionamento! De comboio, barco, metro ou autocarro, podes dirigir-te para a tua escola ou local de trabalho confortavelmente instalado, a ouvir música, ler, estudar, aproveitando esse tempo precioso em actividades muito mais produtivas do que esgotar a paciência ao volante de um automóvel. Que ainda por cima causa poluição ambiental e sonora, e torna as cidades feias e agressivas para os peões. No capítulo das saídas nocturnas, então, a prática de deixar o carro em casa ganha cada vez mais adeptos. E por razões mais que óbvias. Para já, ganhas maior mobilidade para correr várias capelinhas, sem ter que andar sempre à procura de lugar para encaixotar o veículo. E depois, se te enfrascares (coisa que não te deve acontecer com frequência, é certo...), o táxi é mesmo o teu melhor amigo. É um estilo de vida cheio de vantagens, este de trocar as quatro rodas pelos nossos pezinhos. É que andar a pé, confirmam os médicos, é mesmo um excelente exercício, e muito mais barato que frequentar ginásios. E já reparaste como, andando na rua, se vive um dia mais rico? Descobrimos ruas e caminhos novos da cidade, notamos edifícios que de outra forma nos passariam despercebidos, observamos de perto as pessoas na sua azáfama diária. Enfim, fazemos realmente parte do cenário. Não estamos do lado de dentro do habitáculo.

Céu Coutinho 2003-07-15

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