A Quinta
Embora o nome crie alguma expectativa, infelizmente aqui já não há vinhas nem vinho. Trata-se sim de um turismo rural acolhedor, onde se vive um verdadeiro ambiente familiar, descontraído e agradável, que resulta muito pelo facto de contar apenas com quatro quartos duplos.
Chega-se e descobrem-se os aposentos. Os quartos são confortáveis quanto baste e a vista para a Serra de Sintra é muito boa. Mais tarde, à conversa com os donos, uma dupla familiar constituída por pai e filho vai-se sabendo mais alguns dados interessantes sobre a região e não só.
O pai, tem a paixão pelo mar e conta histórias incríveis das caçadas submarinas que fez por esse mundo fora. Antigo meteorologista da força aérea, afirma já ter visto um objecto voador não identificado a pairar sobre a Serra de Sintra, durante uma noite na qual fazia uma patuscada com os amigos na Quinta.
O filho, tem a paixão pelos automóveis. É piloto de corridas e lá vai contando alguma peripécia que fez. Enfim, uma dupla dinâmica com histórias para dar e vender, pois assunto de conversa é o que não falta.
A casa
Mas de volta à casa, ou melhor às casas, pois na verdade não são uma mas sim três. A primeira onde estão os dois quartos maiores, a segunda onde se encontram os dois quartos mais pequenos e a terceira, onde se encontra a cozinha e a ampla sala.
Apesar de pequena, a Vinha da Quinta está feita com gosto e encontram-se pormenores tão originais como a cadeira de barbeiro que está na sala. Hoje, tem apenas funções meramente decorativas, embora durante décadas tenha servido de assento para que os ilustres senhores de Sintra e arredores tratassem da aparência. Este gosto pelas coisas antigas é-nos explicado pelo pai do proprietário, que confessa que tem por hobby coleccionar antiguidades. Pois, para além da cadeira, também o velho armário adornado com bibelots que serve de apoio para guardar recuerdos e alguma da loiça do pequeno almoço.
Mas há mais. E talvez outro dos detalhes que nos ficam na memória são as chitas dos porta-chaves, que têm precisamente o mesmo padrão que as colchas das camas, o que o obriga a que haja dois jogos de lençóis iguais. Tira-se partido do facto de existirem apenas quatro quartos, o que não exige muito da memória visual dos hóspedes.
No pátio, como não podia deixar de ser, a piscina, que embora não seja muito grande, serve para nos refrescarmos quando o calor aperta. Até porque ainda que apesar da praia das Azenhas do Mar não estar longe, nem sempre se recomenda tomar banho num mar frequentemente bravo.
E como nesta quinta gostam de animais, também o canil não foi esquecido. Duas boxes são o albergue para que os fiéis amigos dos hóspedes possam passar a noite sossegados.
N'Dalo Rocha 2002-10-08