Villa Meã

Lá para as bandas de Viseu, uma Villa com oito séculos foi transformada em Hotel Rural.

À entrada um toque pessoal. Na parede oposta ao balcão da recepção, três malas suspensas do tecto por correntes enfeitam o canto. Uma maneira simpática de criar empatia com quem viaja e também carrega malas.

O passo a seguir é pôr estes adereços que atendem pelo nome de bagagens nos quartos. Passamos pela primeira sala para descobrirmos uma magnífica máquina a vapor. Não é nenhuma locomotiva, mas sim o engenhoso sistema que alimentava o alambique, instalado na sala contígua. Lá vamos descobrir este aparelho que servia para destilar o álcool, pois esta quinta já foi uma grande produtora de vinho. Tudo está limpinho a brilhar, sem gota de óleo, com os ferros e as peças de cobre a luzir. Até dá gosto. Junto às janelas encontramos amplos sofás azuis que nos olham insistentemente, como se nos desafiassem a experimentá-los, de preferência com um jornal. Todavia, o mais desconcertante é o chão, todo em vidro, e por debaixo destas lajes transparentes, algumas garrafas do espólio que a quinta produziu durante décadas, para além dos tanques onde os homens pisavam o mosto. De um modo simples tenta-se representar o ciclo do vinho neste improvisado museu. Ao lado, o simpático bar, que de noite se transforma num dos espaços mais agradáveis e socializantes. Porque será?

As velhas celas da quinta

Com excepção da casa principal hoje em dia também ela integrada no edifício do hotel, todas as restantes áreas tinham um uso doméstico específico. Armazenar material, produtos e até animais. Para não descaracterizar estes costumes, cada quarto possui um nome de acordo com a sua antiga função, com excepção do Quarto do Feno, a antiga pocilga. O proprietário decidiu, e bem, por razões óbvias, colocar-lhe outro nome. Porém, a janelinha minúscula que dá para o pátio continua lá e mal sonham os hóspedes que por ali já passaram uma boas coxas de presunto. Enfim, estórias do mundo rural.

No geral, pouco se percebe do passado rural, pois, para além do nome, os quartos são bastante modernos. Possuem todas as comodidades para enfrentar o clima e não falta o ar condicionado ou os vidros duplos. Conforto é sempre bem vindo.

Continuando a deambular pelo hotel, descobrimos uma agradável marquise fechada com umas simpáticas cadeiras de verga. É um espaço bastante luminoso que foi em tempos a entrada principal da casa antes desta ser reconvertida em unidade hoteleira. Nas salas adjacentes, paredes decoradas com painéis de azulejos e lareiras dão espírito às salas de estar, onde descobrimos a acolhedora biblioteca.

N'Dalo Rocha 2003-08-26

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