Vila do Conde – o norte mais perto

Tão perto do Porto, uma cidade com mil mistérios para descobrir...

Antigamente, quem viajava pela antiga estrada para o Norte do país, não podia ficar indiferente ao espectáculo que se abria aos olhos ao atravessar a ponte sobre o rio Ave. Um açude do lado direito deixava escorrer as águas do curso de água, do lado esquerdo fechava-se a cidade, abrindo sobre toda a paisagem o Convento de Santa Clara. O convento que recebe o visitante daquela que já foi dita a localidade mais mentirosa do país: não é vila, é cidade, e ao que se sabe nunca pertenceu a nenhum conde. Vila do Conde abre as portas ao Minho litoral e recebe o visitante com séculos de história. A começar pelo próprio Convento de Santa Clara. Logo depois da ponte, tome a sua direita e suba até ao alto, onde se avista toda a cidade, protegida pelo enorme aqueduto, perfeitamente conservado, e pelo convento, agora uma casa de reinserção para menores de idade. Foi nessa colina que nasceu o castro que mais tarde deu origem à cidade. Aí, o convento e a Igreja de Santa Clara guardam os restos mortais de D. Afonso Sanches e sua esposa, Dona Teresa Martins. Os seus túmulos são duas das mais belas esculturas de estilo manuelino, classificadas como monumentos nacionais. E não deixa de ser imponente a presença daquele convento e da Igreja perfeitamente conservados, donde se tem uma panorâmica exemplar sobre toda a cidade e rio.

Atrás, o Aqueduto. Trata-se do segundo mais extenso do país, construído no século XVIII. O Aqueduto atravessa a cidade de Este a Oeste e é possível ver que muitos habitantes ainda moram em redor dele, num hábito que não morreu com o passar dos anos. No início do aqueduto há um café, ideal para uma pausa antes de percorrer a construção na sua totalidade, o que demora cerca de meia hora. Regressemos então à vila propriamente dita, ou à cidade e o seu centro. Com a sua localização na foz do rio Ave, Vila do Conde tem as origens das suas tradições na altura da romanização. Hoje, um rio e um mar que percorrem 20 quilómetros de praias de areia fina e de um mar picado, fazem as delícias dos veraneantes, que não têm em Vila do Conde a euforia desmedida da Póvoa de Varzim mas antes uma calma agradável que proporciona a descontracção e o encontro íntimo com a História.

Na cidade, um conjunto de monumentos de épocas distintas percorre a época manuelina, fazendo da cidade um autêntico museu quinhentista. O seu centro histórico está ainda intacto e recuperado e, tal como noutras cidades nortenhas, é ainda habitado, fazendo dele uma zona muito característica. Um centro encabeçado pela Igreja Matriz, monumento nacional construído entre os séculos XV e XVI. No dia em que lá estivemos era Sábado de casamento e a porta principal da igreja estava cheia de pétalas de flores de todas as cores. Um pormenor que combina com o colorido da terra.

Álvaro Curia 2003-11-04

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