O rio puxa o barco a toda a velocidade contra um muro de rocha. Lá em cima aparece uma águia, depois uma garça e ao longe um corvo. De repente, um jacuzzi natural entre rochas, e os montes do Minho sempre ali. Às nove e meia da manhã, todos a cem à hora. Aguardamos minutos pelo autocarro que nos leve ao ponto onde nos indicam a que grupo pertencemos, para que comecemos a actividade sob um sol abrasador. Pode parecer uma situação comum numa grande cidade de trabalho mas não é. A acção passa-se em Melgaço, mais propriamente na pacata aldeia do Peso. E a actividade que propomos não é uma tarefa comum mas antes um fantástico percurso de Rafting pelas agitadas águas do Rio Minho. Surpreendido? Ainda não leu nada. São 18 Km através de rápidos em barcos pneumáticos, sempre à espera da próxima emoção, do próximo mergulho de um rochedo de 6 metros, de um relaxante banho numa autêntica banheira de hidromassagem natural. A Escola de Rafting Atlântico está sediada em Lisboa mas promove actividades no Rio Minho, no limite do Norte português. De facto, é mesmo preciso ir a Espanha, à aldeia de S. Gregório, onde encontramos uma barragem que serve de ponto de partida para a aventura de quatro horas. Marylene, proprietária da escola, recorda-nos que há seis anos, quando chegou a Portugal vinda de França, não se ouvia falar de Rafting. Hoje vêm ao Minho grupos de Lisboa, na sua maior parte, Porto e até do Algarve para experimentar a sensação de descer um rápido a toda a velocidade.
Os grupos são distribuidos por barcos de seis pessoas. Aconselhamos a combinar a sua aventura com mais cinco amigos ou correrá o risco de ver o seu grupo repartido. Um monitor em cada barco faz o «briefing» antes de embarcar. As técnicas são simples e os cuidados a ter como precaução são bem explicados pela equipa. A verdadeira aventura começa logo a seguir à barragem, no primeiro rápido. De um lado é Espanha, do outro Portugal e assim será até ao fim: à volta duas serras descem até ao rio, criando socalcos, derrubando árvores para as margens e permitindo desfrutar de uma natureza única. Ao longo da viagem poderá ver garças reais, corvos, faisões e águias. Até é possível avistar um ninho de águia construido num eucalipto lá ao longe. Mas o mais importante é a água, que ora é calma e permite banhos, ora é agitada e turbulenta, viajando entre rochas que provocam ondas que criam uma verdadeira montanha russa aquática aos nossos pés. A ordem é sempre de que se reme e se tire o máximo prazer possível desta experiência.
Álvaro Cúria 2002-07-30