No Inverno o Parque Natural de Montesinho é frio, muito frio, com gelo no chão e alguns chuviscos à mistura. Um cenário um pouco assustador, mas a verdade é que esta é a altura ideal para se ficar a conhecer este bonito parque, mais ou menos a 30 quilómetros de Bragança. Para além disso, não é nada que uma lareira e alguma roupa quente não resolva. Inverno ou não, vamos então ver.
O tour das aldeias
Para se ficar instalado, o que é indispensável porque o sitio é longe, existem várias opções espalhadas pela diferentes aldeias que formam o Parque, como em Moimenta ou Montesinho. Casas rurais, em pedra, completamente iguais às dos outros habitantes, e que se enquadram perfeitamente no ambiente que ali se vive. Longe do luxo dos hotéis, mas perto, como em nenhum outro lugar da vida rural, de um Portugal que muitos achamos que já só há em documentários dos anos oitenta.
O verde é o tom dominante, em enormes serras e vales com paisagens difíceis de descrever. À primeira vista as comparações com o Gerês são inevitáveis, mas a verdade é que aqui nota-se ainda menos a intervenção da mão do homem. Pela sua grandiosidade, a única forma de se ficar a conhecer tudo de uma ponta a outra, é utilizar o carro. Depois não há grandes explicações a dar. É partir à descoberta, por estradas de terra batida, com muitas curvas e buracos. Por isso mesmo é melhor ter algum cuidado, até porque pode ser que apareça algum animal inesperado pelo caminho.
Depois, é um dever de bom viajante parar em todas as aldeias, e não assim tão poucas, passear pela ruelas em calçada, visitar igrejas, falar com as pessoas e voltar a seguir viagem. A receita repete-se ao longo do percurso, que demora no mínimo dois dias, sem destino nem hora marcada. Mesmo assim existem pontos de paragem obrigatórios com a aldeia que dá nome ao Parque, Montesinho. Umas das mais bonitas da região, hoje, longe da prosperidade de outro tempos em que existiam aqui minas, vivem aqui apenas vinte famílias.
Nuno Maia 2002-03-19