A serra de Montejunto, o Cadaval e o Bombarral não são as referências mais óbvias do Oeste. Nos por cá não quisemos que tal situação se mantivesse por muito mais tempo apesar de Óbidos ser mesmo incontornável. De terra em terra, quantas são as descobertas que estão à margem das estradas mais apressadas...
No tempo dos Descobrimentos...
Não fosse a História de Alenquer tão tamanha e teríamos passado à sua margem, tal como fazem os carros apressados da A1 com destino ao Porto ou a Lisboa.
Com a aventura de Quinhentos, muitos foram os alenquerenses que ajudaram a construir a nossa História. É o caso de Afonso de Albuquerque, vice-rei da Índia, que aqui viveu e ainda do cronista do reino Damião de Góis, que em Alenquer nasceu veio a desaparecer.
No século XIX, Alenquer destacou-se como centro industrial dispondo de algumas fábricas de fiação hoje ruínas que podem ser avistadas junto ao rio com o mesmo nome da vila.
Mas esta localidade, que cresceu em anfiteatro, é também chamada de vila presépio. É na parte alta da encosta que se concentra o centro histórico. As ruínas do castelo medieval atestam a importância desta antiga Praça Moura. Hoje restam apenas vestígios da Porta da Conceição e da Torre da Couraça.
Nesta localidade, dois museus merecem referência. O Museu Municipal Hipólito Cabaço, de vocação arqueológica e etnográfica, e a Galeria Museu João Mário, um espaço de arte figurativa naturalista.
A Igreja de São Francisco, situada no local onde existia o antigo Paço Real, parece comandar a vila. Hoje o antigo convento funciona como lar de idosos. Não deixe de conhecer o claustro.
... rumo ao século XXI
Devido à proximidade, não quisemos deixar de parte a famosa e pacata aldeia (até quando?) da Ota. Aconselhamos uma outra visita a esta povoação para que possa gravar na memória o contraponto entre o hoje e o amanha, com o novo aeroporto em pleno voo. Para tal, ao fim da longa descida da EN1, terá que virar à esquerda para poder entrar na aldeia.
Aqui sobressai a Igreja do Divino Espírito Santo, um templo modesto que, todavia, reúne um rico conjunto de azulejaria tipo tapete do século XVII. A pia de água benta, de traça manuelina é o testemunho de um templo outrora ali existente.
Regressando à EN1, pelo mesmo ponto, seguindo para norte do lado direito, atente no Monte de São Francisco que, por muito que custe a acreditar, vai ser totalmente removido pois encontra-se no enfiamento da pista do novo aeroporto.
Mais à frente, deixe a EN1 e vire à esquerda, em direcção a Abrigada. Segue-se Paúla, Atalaia e Vila Verde dos Francos, povoações de passagem, que nos indicam o caminho até à serra de Montejunto, o ponto mais elevado da região Oeste. Aproximamo-nos da serra por uma estrada florestal, ideal para os moinhos de vento nas cumeadas.
Segredos da serra
Seguindo as placas até ao Quartel da Força Aérea chegamos também à Real Fábrica do Gelo (antecedida por um arranjado parque de merendas), composta por uma área de produção do gelo e outra para seu armazenamento e conservação.
Paula Oliveira Silva e Pedro Oliveira 2006-05-24