Trás-os-Montes: o Barroso

A carne barrosã é bem conhecida, e não é por acaso. As vacas alimentam-se em prados cuidados enquanto passeiam por montes e vales. Voltas que nós também podemos dar. No fim, cansados, atacamos a carne, antes de visitar Paredes do Rio, uma aldeia à antiga.

A casa da Travessa, construída mesmo numa travessa à entrada da aldeia de Paredes do Rio é um poiso tradicional onde se dorme divinalmente, sobretudo se ficar numa das suites. Paredes de granito com aquecimento central, porque faz frio a valer, em baixo a sala, e umas escadas que levam a um tecto falso onde está a cama. Rústico e original. O pequeno almoço, devia chamar-se banquete. Quem consegue comer tudo já não almoça. Presunto, paio, chouriço, pão de centeio, bolo, queijo, doces caseiro, sumo, leite e café. E só para não cansar os hóspedes, todos os dias mudam os bolos e os doces. Mas o melhor local da casa ainda é a antiga cozinha onde os petiscos são confeccionados em potes de ferro pendurados sob os troncos de lenha em chamas. O dono, Acácio Moura, lembra-se do último fim de ano quando um grupo de dez amigos ficaram retidos pela neve e passaram lá metidos tarde e noites seguidas. Copo puxa conversa, acompanhado por um bom enchido ao calor da lareira. É preciso mais para passar um inverno feliz?

De manhã, a vista estende-se por um longo vale salpicado por vários tons de verde, castanho e amarelo. Pequenos terrenos murados, a lembrar que a agricultura no norte se chama minifúndio. E lá em baixo corre o Cávado, sulcando por entre os montes da serra do Barroso.

Água, moinhos e barragens

O que não falta por estas paragens é água, a avaliar pelas cinco barragens do concelho de Montalegre que rodeiam a serra do Barroso. Próximo de Paredes do Rio, está a barragem da Paradela, que embora não seja a maior, ainda impressiona pelo tamanho. Se o tempo ajudar, o que pode não acontecer porque aqui chove muito, dá para ir de bicicleta.

Continuando a passear pelo paredão, vire à direita para o Toco e maravilhe-se com pequenas cascatas, piscinas naturais e penedos. Se quiser, pode ainda ir a Pitões das Júnias ver as pedras e comer um bom bife. E depois seguir até Tourém, a última aldeia portuguesa que parece entrar dentro de Espanha. Faça uns quilómetros e volte a entrar na fronteira por Montalegre. É de encher o olho e pode-se cair mais uma vez na redundância de dizer que o Gerês é lindo, porque é.

N'Dalo Rocha 2001-10-24

Receba as melhores oportunidades no seu e-mail
Registe-se agora