A Lagoa adormecida
Sem grandes alternativas para dormir em Águeda, a Estalagem da Pateira é talvez a melhor escolha. A decoração das áreas comuns remonta aos anos 60 e 70 e nos quartos reina a simplicidade com o mobiliário claro e camas espaçosas. Das varandas dos quartos vêem-se as pequenas embarcações a cruzar a lagoa da Pateira, ou Adormecida, como também é conhecida.
O restaurante não deixa que se perca a panorâmica, porém sugerimos que ande meia-dúzia de quilómetros até Águeda. Apanhe a estrada Lisboa-Porto e vire para sul até à derivação (à esquerda) para Aguada de Baixo. Visite O Vidal a que os clientes sabiamente acrescentaram o sobrenome dos Leitões. A fama vem-lhe dos largos anos que prepara este prato, mais de 35. Chegou inclusivamente a servir os seus leitões à Rainha Isabel II aquando de uma visita a terras lusas, o que veio aumentar a fama. À parte da especialidade da casa há também o Bacalhau, a Chanfana e o Cabrito.
Serra adentro
Pela manhã para aproveitar bem o dia, seguir em direcção a norte, a Macinhata do Vouga. É lá que está instalado o Museu Ferroviário do Vale do Vouga, encerrado quase sempre aos dias que mais se passeia, sábados, domingos e feriados. Mas pode sempre tentar fazer uma marcação prévia através da Área Museológica da CP (Tel. 222002723). Aqui poderá ver algum do material que circulou na antiga Linha do Vale do Vouga, entre 1914 e 1990, desde belas locomotivas a vapor, a carruagens de madeira ou automotoras de fabrico nacional.
Continue agora para Sever do Vouga e Vale de Cambra para aceder à serra da Freita. A Ponte do Poço de Santiago ainda cá está, quanto mais não seja para relembrar tempos em que as locomotivas a vapor da linha do Vale do Vouga por aqui passavam uivantes.
À vegetação verdejante junta-se uma Natureza cultivada onde nem faltam as hortas, os pomares, as vinhas e milheirais a compor o cenário de interior embora estejamos a pouco mais de meia-hora do Altântico.
De Vale de Cambra para a serra da Freita, há que tomar a EN227 na direcção de S. Pedro do Sul. Após passar a derivação para a barragem Engº Duarte Pacheco vá com atenção para não perder novo corte para a esquerda que dá acesso à longa subida para o topo da serra da Freita. Um caminho muito bonito onde, consoante a curva, se vai vendo, ora serra, ora mar.
A serra da Freita tem a sua altitude máxima no Pico de S. Pedro Velho a 1085 metros de altitude e o seu maior destaque e motivo de romaria na queda de água da Frecha da Mizarela, uma das mais altas de Portugal. Nesta ida a terras do Vouga não poderíamos deixar o caso de molho. Um espectáculo fumegante e de barulho intenso, o das águas serem sacudidas pela cascata. O rio Caima, afluente do Vouga, vence um desnível de dezenas de metros e precipita-se com fragor na direcção da planície. Pode ver esta queda dos mais diversos ângulos, seja de dentro do próprio rio, seja junto ao salto final, seja, ainda, de um miradouro na margem direita.
Na aldeia da Castanheira, já a caminho de Arouca o desvio tem por mote as Pedras Parideiras, um fenómeno de granitização único no país e raro no mundo inteiro. A erosão forma nódulos dentro dos penedos de granito e estes acabam por rachar e expor as pedrinhas em que se fragmentam. Já muita gente carregou bagageiras com estas parideiras para observar de perto a raridade mas de nada adianta pois segundo a voz do povo, longe desta serra que as viu nascer, as ditas pedras não parem. O melhor é olhar para elas e deixá-las estar.
Almoço e descanso campestre
Descendo já para Arouca, o objectivo é provar a famosa vitela arouquesa, comer os rojões ou algum peixe de rio e rematar com pão-de-ló. O que pode perfeitamente acontecer no Restaurante de Pedrógão, no Restaurante Casa no Campo ou ainda no Restaurante da Quinta d’ Álem da Ponte. Para digestivo visite o Mosteiro de Santa Maria de Arouca e suba até ao miradouro da Senhora da Mó.
Paula Oliveira Silva 2005-02-22