Antes de partir
O planeamento da actividade é muito útil, quer seja um percurso de poucas horas ou de vários dias. É necessário definir o itinerário, saber a duração, o grau de dificuldade, o que levar - tendo em conta que no grupo poderão estar crianças e idosos, é necessário repartir as cargas segundo a constituição física de cada um. Reunir o máximo de informação acerca da área que vai visitar, um mapa com o percurso traçado, acessos, o que ver, onde pernoitar, onde se abastecer, exigências específicas de cada região, consultar a previsão meteorológica, para melhor escolher a roupa que vai levar, o saco cama e a tenda. Faça sempre uma lista do equipamento que pensa ser necessário, leve só o essencial, não se esqueça de que terá de o transportar às costas.
Se tem uma vida citadina, mais sedentária, pratique um treino progressivo umas semanas antes da partida. Será conveniente andar mais a pé e aprender a controlar a respiração. Um passo cadenciado irá permitir-lhe efectuar o percurso mais facilmente e sem custo. Uma média de 4 a 5 Km/h é um bom andamento para o caminhante médio. Leve um pequeno bloco de notas onde poderá apontar não só o que vê e sente, mas também as situações que lhe ensinam a tornar mais agradável as suas próximas caminhadas.
Equipamento e conselhos úteis
Vestuário e calçado Ao escolher o vestuário é preciso ter em atenção a época do ano, as condições meteorológicas e a duração do percurso. O uso de roupa apertada é desaconselhável. Deverá vestir roupa leve e larga, cómoda e impermeável-transpirável. No Verão a roupa não precisa de ser muito técnica, basta ser resistente, como uns calções ou calças de fato-de-treino, t-shirt ou camisola leve. Além de um chapéu e protector solar. Mas se a actividade decorre em climas de montanha, onde as condições atmosféricas se alteram repentinamente, ou no Inverno com chuva e vento, devemos estar preparados para estas alterações e rigores próprios da estação do ano. Nesse caso será conveniente levar:
1ª camada – Para o nosso clima é suficiente uma simples camisola térmica leve ou t-shirt, de lã ou fibras sintéticas, luvas do mesmo material, possivelmente um gorro também de fibras sintéticas. Na escolha das meias o melhor será optar por uma mistura de lã e poliamida.
2ª camada – Camisola de lã ou forro polar de golas e fecho-éclair, casaco de forro polar. As calças terão que ser cómodas, que não prendam os movimentos e leves, o mais aconselhável serão as confeccionadas com 70% algodão e 30% nylon, transpiráveis e resistentes. Neste campo a escolha é variada no mercado.
3ª camada – Para cortar o vento ou a chuva, um casaco com capuz e costuras termo-seladas, impermeável e transpirável, poderá ser de Gore-tex, embora caros. Também aqui a oferta de equipamentos com fibras de características semelhantes é considerável. O vulgar blusão de penas também é uma boa opção, embora não seja tão resistente à humidade. Nas calças não usar os vulgares impermeáveis, pois provocam condensação devido à transpiração.
Os materiais
As roupas de algodão apresentam boa resistência, no entanto são pesadas, quando molhadas não aquecem, são de secagem difícil e não absorvem a transpiração. A lã tem as mesmas características que o algodão mas, quando molhada tem a capacidade de manter o corpo quente.
No que respeita ao tecidos de fibras sintéticas a escolha é muito alargada, e todos apresentam quase sempre as mesmas propriedades. Não absorvem a transpiração, mas conduzem-na para o exterior, mantendo-se o corpo quente e seco.
Os forros polares são constituídos por fibras sintéticas, 100% poliester. O Polartec é o tecido com estas características, mais conhecido. Permitem que se consiga uma temperatura confortável entre a pele e a roupa, independentemente das condições meteorológicas. Estão criados para proporcionar isolamento das condições externas, com capacidade de transpiração, controlando a humidade corporal, mantendo uma temperatura corporal uniforme, de secagem rápida. Classificam-se segundo a espessura e a camada para que estão aconselhados, de 100, 200 e 300.
O calçado é de principal importância. Deve ser forte mas leve, confortável, que proteja a zona do tornozelo, com folga que permita calçar meias grossas ou dois pares, e transpirável. Experimente-o em alguns curtos passeios antes de uma longa caminhada, para ficar com a forma indicada. O mais aconselhável será usar um calçado que se adapte ao terreno por onde vai andar. Em terrenos planos sem pedras e no Verão, uns ténis são o suficiente. Se as nossas intenções são percursos com mais técnica, umas botas de couro ou de Gore-tex, são o material a escolher. Aqui a oferta também é muito variada.
Material de transporte e descanso
Para transportar o equipamento utilizam-se as conhecidas mochilas, que podem ser de maior ou menor capacidade, depende da duração do percurso e do material que pretendemos levar. A capacidade é lida em litros, uma mochila de 15 a 25l será para um dia de caminho, já as de 30 a 45l poderão ser de dois ou mais dias.
As mochilas de montanha ou alpinas, resistentes, de armação interna, com forma cilíndrica alta e estreita de modo a facilitar os movimentos, com capacidade para transportar todo o material para vários dias ou semanas, podem ir dos 65 a 90l.
Neste caso optar por uma boa marca facilita a escolha, a protecção dada aos ombros e costas pode marcar a diferença entre uma caminhada confortável e o martírio.
Ao escolher a tenda, o peso e o número de lugares nem sempre são compatíveis. Mais lugares, mais peso. Tente procurar o equilíbrio. Para transportar na mochila, o ideal será de três lugares e um peso que não ultrapasse os 4kg.
Deverão ser do tipo iglu, pois são de montagem rápida, com um pequeno avançado, transpiráveis, com janela para ventilação, tecto duplo e costuras termo-seladas, porta dupla com mosquiteiro e de material não inflamável.
As novas fibras e tecidos sintéticos fizeram evoluir muito o material técnico, e nos sacos cama não foi diferente.O aconselhável será escolher aquele que mais se adapta às temperaturas que vai enfrentar. Existem sacos cama que permitem uma noite tranquila e quente desde os 30ºC negativos aos 15ºC positivos, a escolha é sua.
No Verão os sacos cama rectangulares serão mais úteis, pois podem transformar-se num cobertor quadrado. Já nos meses mais frios o saco tipo múmia aquece-nos mais depressa, a sua forma permite uma menor dispersão do calor e têm protecção para a cabeça.
Nuno Luzia 2002-02-05