Carnaval, a origem
Pesquisas efectuadas parecem apontar para a Grécia e Roma Antigas a semente da festa do Carnaval. Todavia, em Portugal os registos mais antigos deste período remontam à Idade Média. Nessa altura as brincadeiras eram perigosas e ofensivas. Por estes e outros motivos, em 1817 aparecem os primeiros editais a moderar brincadeiras. Porém, já em 585 os padres reunidos no Concílio de Auxerre tinham proibido o uso de máscaras.
Vem de tempos antigos este gosto pelo ataque com alimentos e objectos lá de casa. Quem nunca levou com um ovo ou foi atingido por um saco de farinha e até por um balão cheio de água que atire a primeira pedra. Não raras vezes se ouve o relato de gente que passando perto de habitações, por muito pouco não foi atingido por um tacho velho, um alguidar ou outro qualquer objecto já sem serventia. Uma forma de se verem livres do que não faz falta. As lutas de vassouras também já foram frequentes. A desculpa é sempre a mesma e tem séculos: “É Carnaval, ninguém leva a mal.”
Segundo alguns estudiosos, a palavra Carnaval tem uma origem religiosa que o relaciona com a Quaresma. Do latim, carne (carne) e vale (adeus) seria a designação da Terça-Feira Gorda, ou Entrudo (do latim introitus, entrada), o início do período em que o calendário religioso incita a uma pausa de quarenta dias por contraponto aos excessos que se cometem durante todo o ano. A alimentação também sofre alterações com a proibição da ingestão de carne.
Mas a palavra Carnaval apresenta ainda semelhanças com carnavalemen que quer dizer o prazer da carne. Há ainda quem defenda que a origem etimológica advém de carrus navalis, expressão anterior ao Cristianismo e que mais não quer dizer que carro naval. As festividades próprias do recomeço da Primavera incluíam cortejos com carros alegóricos em forma de barco que distribuíam vinho pelo povo, tanto na Grécia como em Roma. Uma homenagem a Dionísio e Baco, as divindades gregas e romanas do vinho, respectivamente.
Muitas destas tradições só se encontram nos meios rurais que vivem intensamente os quatro dias de festa. Às cidades parece reservado desfiles e os bailes de máscaras dos clubes, um solução para quem prefere comemorar sem os conflitos inerentes à desordem própria desta altura. As classes sociais mais elevadas preferem-nos.
A festa em Portugal
No nosso país, as tradições do carnaval são um misto de religiosidade e paganismo. É um tempo de preparação para a Quaresma mas também de rituais pagãos directamente ligados a celebrações da Natureza. Festeja-se a morte das colheitas antigas e o germinar das novas. Esta é a explicação para a tradição em Portugal do enterro de uma personagem na Quarta-feira de Cinzas. É que antes da reforma cesariana do calendário, o ano civil iniciava-se em Março acontecendo a despedida do ano velho por esta altura.
Seja como for, a festa é uma constante, variando apenas as formas de manifestação. Enraizadas no folclore português estão as máscaras com as quais qualquer transformação é possível. A sua origem encontra-se nos antigos rituais pagãos do culto dos mortos em que se acreditava que os espíritos deviam tomar a forma humana. Para a sua personificação, alguém trajava de branco e usava uma máscara.
Paula Oliveira Silva 2004-02-17