Álvaro Curia
Corno de Bico - A Inocência da Natureza
É um verdadeiro dois em um. De um lado a Natureza em estado puro, maciça, digna. De outro as aldeias típicas do Minho e os seus característicos habitantes. Pegue no jeep, vá até ao meio e depois ande a pé. Os habitantes são cavalos selvagens e póneis, imponentes no esplendor da sua liberdade.
Gravuras de Foz Côa - Magia do Engenho Humano
Conseguimos aprender muito com os povos da pré História. Aquilo não são apenas riscos, são desenhos cheios de significados e com uma origem um tanto ou quanto misteriosa. A visita é agradável, o local à volta é deslumbrante. Vale a pena impressionarmo-nos com o passado.
Amarante, eterna noiva do Tâmega
Para lá fica o Marão e a dureza de Trás-os-Montes. Mas a cidade que visitamos é doce e calma, beijando o Tâmega e ouvindo a vida a passar com a leveza de quem experimenta um dos seus doces típicos. Amarante é uma viagem inesquecível por uma cidade de poetas e artistas.
N’Dalo Rocha
Berlengas, ilhas desconhecidas
Só se vai lá de barco. Ilha selvagem, sem árvores, apenas tem rochas, vento e milhares de gaivotas que vão largando pequenas bombas a toda a hora. Local excelente para a prática do mergulho, tem grutas espectaculares que podem ser visitadas de barco. A única praia fica na enseada do Caramusteiro, onde há quartos para alugar, o restaurante e o camping. Mas a verdadeira aventura é provar o desconforto do Forte São João Baptista, onde também se dorme. Pena é só se visitar a ilha no Verão.
Comboio a vapor no Douro
Experimentar andar num comboio traccionado pela locomotiva a vapor, a velha 187. Entre a Régua e o Tua, viaja-se com carruagens dos anos 30, de terceira classe com bancos de madeira. O Douro surge como pano de fundo e o comboio avança devagar, a uma média de 30 km/h, permitindo que os passageiros desfrutem de tudo no corrimão de embarque. O pior é quando se atravessam os túneis por causa do fumo. A composição faz escala no Pinhão para abastecer-se de água e segue até ao Tua, onde há lanche e vinho do Porto de honra. Depois, regressa-se à Régua. Ideal para miúdos e graúdos, realiza-se aos Sábados, de Maio a Outubro.
Pulo do Lobo
Visite o Parque Natural do Guadina ente Serpa e Mértola e descubra um acidente geológico chamado Pulo do Lobo. Tem este nome precisamente porque faz saltar o rio num desnível com 20 metros, encolhendo as margem numa garganta estreita. À volta só há rocha que parece ter sido retirada de algum filme de ficção científica, assemelhando-se à paisagem lunar. Após a turbolência, o rio acalma numa grande lagoa. Na margem esquerda existem pequenas crateras nas quais se formam lagoas com rãs e girinos. No Verão é desaconselhável vir cá nas horas de maior calor, pois a encosta desce-se e sobe-se a pé. Na margem direita o carro chega até quase junto ao rio, mas fica-se apenas numa placa de cimento, não tem tanta graça.
Paula Oliveira Silva
Quedas de água no Alvão
Em Trás-os-Montes, um parque muito especial tem por ex libris rochas com mais de 450 milhões de anos que formam uma espécie de desfiladeiro formando uma série de cascatas tendo a maior cerca de 50 metros. O rio Olo irrompe não do topo das rochas mas do seu interior formando as maiores quedas de água da Península Ibérica. Um espectáculo muito natural. Não partir, porém, sem conhecer as várias aldeias típicas do parque cujos materias mudam consoante a altitude em que se encontram.
De barco pelo Tejo
Descobrir o Tejo e uma Lisboa que poucos conhecem da água, num antigo barco baleeiro que nos leva até Vila Franca de Xira, ou ainda mais longe. As três pontes que atravessam vistas de baixo, são momentos altos assim como a espectacular massada de peixe (a melhor que já comi em toda a minha vida e não estou a exagerar) feita a bordo pelos pescadores que comandam a embarcação. Simples e bonito.
Os Roazes do Sado
No estuário do Sado, a bordo de um semi-pneumático, à descoberta da única população de golfinhos residente em Portugal. O momento do encontro é único. Crianças deliram e os adultos tentam a todo o custo gravar o momento. Depois partimos pela costa da Arrábida a ver as praias e voltamos para no final brindarmos com um moscatel e recebermos o diploma. Bom para qualquer faixa etária.
Nove propostas de descoberta. Três escolhas por cada jornalista. Três diferentes sensibilidades. Num país pequeno como o nosso, temos pequenas atracções. Não serão as paisagens da Patagónia, nem a imensidão de um deserto a perder de vista. Mas são sítios bonitos, são cá, e apenas a umas horas de viagem. Só escolhemos nove mas podiam ser noventa. Para mais basta ir à rubrica Descobrir.
2003-12-30