Tomar, terra dos Templários

Conventos e igrejas, o Aqueduto e o Castelo que resistiu aos mouros. Uma cidade bonita recortada por um rio chamado Nabão e marcada por uma ordem de cavaleiros que a dominaram durante séculos.

Tomar

Outrora foi dominada pelos temíveis cavaleiros Templários que constituíram um reforço pretoriano auxiliando o exército cristão, na época de D. Afonso Henriques. E por se encontrar no epicentro da guerra, serviu de cenário às inúmeras batalhas que se travaram onde a força das armas e da fé se mediram. Hoje, Tomar representa parte do rico mosaico da história de Portugal que se encontra representado nos seus conventos, igrejas, o castelo e até na surpreendente sinagoga.

Banhada pelo Nabão que divide a cidade ao meio, a grande maioria do seu património encontra-se na margem direita do rio. E a razão explica-se por questões de antiguidade, pois é aí que reside o centro histórico, as ruas antigas e estreitas que de noite se enchem de vida, apinhadas de estudantes em busca de diversão. E durante o dia, são as pequenas lojas maioritariamente de comércio tradicional que animam o ambiente.

A margem esquerda, a sul, bastante mais moderna e com edifícios novos e altos, as largas avenidas e rotundas, conserva também algum charme, ainda que se trate quase de uma nova cidade.



Castelo dos Templários

Subindo tranquilamente a estrada que serpenteia a Mata Nacional dos Sete Montes, chega-se ao Castelo dos Templários. Para além desta fortaleza medieval, estão concentradas aqui algumas das jóias da coroa do património histórico, como o Aqueduto dos Pegões, a Charola de Tomar e a famosa Janela do Capítulo.

Já às portas do Castelo contempla-se a vista sobre a cidade e o rio e por instantes, imaginamos como seriam aquelas planícies hoje apinhadas de prédios, transformadas em campos de batalha. É que há 800 anos era este o cenário que ali existia. Daí, podemos até pensar para com os nossos botões, bravos guerreiros. Bem, mas vamos por partes. O Castelo, foi fundado ainda no século XII, na margem norte do Nabão e serviu-se da boa posição estratégica para reforçar a posse dos novos territórios recentemente conquistados aos muçulmanos. Toda a empreitada teve a aprovação do regente do Condado Portucalense da época, D. Afonso Henriques, ajudado por Gualdim Pais e outros cavaleiros Templários. E foi precisamente por esse motivo que a arquitectura militar do edifício foi fortemente influenciada pelo que de mais moderno se construíra na Terra Santa, sendo a Charola um excelente exemplo disso. Porém, o Castelo de Tomar tornou-se tristemente célebre para os Mouros em 1190 quando o emir de Marrocos decidiu avançar com um grande exército para norte. Conquistou Santarém, arrasou Torres Novas, mas quanto tentou invadir Tomar, deparou-se com a resistência bem organizada dos Templários. Ao fim de seis dias os invasores fizeram uma sortida pela porta sul e penetraram na cerca exterior. Só que, estando em desvantagem posicional, em pouco tempo milhares de soldados foram massacrados pelo impiedoso contra-ataque dos Templários. Desde então, a porta passou a chamar-se Porta do Sangue. O Castelo permaneceu sob a égide da ordem até 1834. Nesse ano, com a extinção da Ordem de Cristo que entretanto substituíra a Ordem dos Templários, ficou votado ao abandono. Os pátios transformaram-se em currais e refúgio de saltimbancos, e assim permaneceu durante décadas, até ser recuperado já em pleno século XX.

A Charola de Tomar

Ainda dentro dos domínios do Castelo, encontramos a Charola, um santuário inspirado nas mesquitas sírias, trazido pelos Templários do Oriente para o Ocidente. Para muitos historiadores as semelhanças com a Ermida de Omar em Jerusalém são inegáveis, assim como na Capela de Vera Cruz em Segóvia, também edificada pela mesma ordem religiosa.

A Charola, que foi inicialmente o oratório, acabou por se transformar na capela-mor do Convento de Cristo, que então surgiu no mesmo local junto ao Castelo.

No seu interior, por ordem do Rei D. Manuel, deparamo-nos com painéis pintados sobre a madeira que representam a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém, o Baptismo de Cristo e provavelmente a Confissão de Santa Rita. E para além destes, não deixamos também de reparar nas esculturas de pedra policromada em representação da Virgem de S. João Evangelista.

N´Dalo Rocha 2003-06-17

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