Tiro com Arco

Já experimentou disparar um arco, puxar a corda ao máximo e desferir um tiro certeiro no alvo? Verá que é divertido brincar ao Robin dos Bosques, mesmo sem partir setas ao meio.

A primeira sensação

Estamos no campo de tiro. Após uma breve noção teórica, é tempo de experimentarmos os nossos dotes com o arco. Mil e uma imagens ocorrem-nos à cabeça, como a seta que feriu Joana D’Arc até às habilidades que vimos no cinema como o artista que caçava patos com arco e flecha. Números demasiado complicados para o que se pretende, que não é mais do que acertar no alvo.

Primeiro começa-se pela escolha do arco, de acordo com a nossa altura e se somos ou não canhotos. É muito simples de verificar, pois normalmente segura-se no "punho" a zona central desenhada anatomicamente para ser segurada com a mão. Se sentirmos algum desconforto, então quer dizer que provavelmente agarramos num arco para canhotos. Cumprida esta etapa, é altura de seleccionar as setas. E pegando numa, verificamos se o seu tamanho é o mais adequado para o nosso arco. Timidamente vamos encaixá-la na "rampa" uma espécie de calha no arco pela qual a seta desliza. Sempre com o arco apontado para o chão por questões de segurança. Uma vez encaixada a seta, é tempo de prendê-la ao ponto nock. Trata-se da parte mais grossa da corda situada a meio da altura do arco, onde a parte de trás da seta vai encaixar.

E finalmente, a posição. Segundo os ortodoxos, existe uma posição ideal que possibilita maior fiabilidade na pontaria. Imaginando uma cruz que se prolonga entre o braço esquerdo (esticado) e o cotovelo (dobrado) do braço direito e que pende pelas costas até à bacia. As pernas ligeiramente afastadas, aproximadamente à largura dos ombros. O pescoço virado para o alvo e os dedos da mão que estica a corda, encostados à bochecha. Sensibilidade máxima. Sustém-se a respiração e atira-se.

Olhar, apontar e largar

Assim que se larga a corda, a flecha desaparece do campo de visão. Apenas se ouve um zumbido que entrecorta o ar, para milésimos de segundo depois, sentirmos uma pancada seca. Perfurou o alvo. Volta-se a repetir a operação agora com mais confiança, abusando um pouco mais da força da corda, que milagrosamente não se rompeu. Ufa! Afinal o material é mesmo de qualidade o que nos faz aumentar a confiança. Quem sofrem são os dedos da mão que puxa, que por não estarem habituados a este tipo de pressão acusam alguma dor passageira, mas nada que nos faça demover do objectivo.

Rapidamente, passamos à segunda, terceira e quarta tentativa, todas sem o sucesso da primeira. Felizmente que por detrás do alvo está a rede que impede danos maiores para todas aquelas setas que sobem em demasia. É que apenas dois ou três centímetros que se suba ou desça, representam muitos mais na hora do impacto da seta. Não é muito grave, mas Catarina, a instrutora, diagnostica-nos um ligeiro desvio para cima, e alerta-nos para que inclinarmos o tronco para a frente. Sábio conselho, pois a seta que lançamos de seguida disfere um golpe certeiro, mesmo no coração do alvo. Na mouche! Afinal isto até tem alguma ciência, pensamos contentes com o bonito resultado alcançado.

Acima, abaixo

Catarina, dá-nos alguns conselhos para melhoramos a performance. O tiro está a sair bem, com potência e velocidade, porém estamos a atingir a cerca de meio metro ao lado do centro. Qual o segredo? Em vez de girarmos sobre a bacia o truque é tão simples como dar um passo para o lado. Muitas vezes resulta e permite continuar a manter a mesma cadência de tiro, porém mais certeiro. A pouco e pouco, vai-se experimentando até se acertar.

N'Dalo Rocha 2003-04-22

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