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Ti Lena - Talasnal, Serra da Lousã

Não há longe nem distância.

O Programa das Aldeias do Xisto começa a dar frutos na Lousã. Muitas casas foram já reerguidas e as pessoas começam a restituir-lhes vida. Ainda que não seja fácil chegar a muitas destas aldeias, como o Talasnal, qualquer jipe (ou 4L) cumpre a missão. Os apreciadores do todo-o-terreno agradecem, e quanto aos menos aventureiros, a esses basta-lhes a recompensa que os espera no destino: um lugar à mesa no Ti Lena.

Mulheres de armas

O nome “Ti Lena” foi tomado de empréstimo à última habitante do Talasnal ali nascida. Hoje, com cerca de 80 anos de idade, Ti Lena e marido assistem ao ressuscitar da sua aldeia natal, com a chegada de novos habitantes e comerciantes, e a circulação de inúmeros visitantes, portugueses e estrangeiros.

A recuperação desta aldeia ainda está longe de terminada, mas isso não impede os amantes da natureza de se desviarem das suas caminhadas para a conhecerem, nem os "bons garfos" de percorrerem meia hora aos solavancos para ali desfrutarem calmamente de uma saborosa refeição caseira. Isto só lhes é possível graças ao empreendedorismo de duas irmãs, citadinas de corpo e alma mas serranas de coração.

Lizete Dias vive em Leiria e Amélia Dias em Coimbra. Passam os “dias úteis” separadas mas, chegando a sexta-feira, rumam juntas ao Talasnal, onde se instalam durante o fim-de-semana na casa que compraram juntas para realizarem o sonho comum de criar de raiz um restaurante onde os clientes se sentissem em casa.

Um dia bem passado

O restaurante funciona por marcação. O que não quer dizer que, se calhar andar para aqueles lados e der lá um salto, não seja atendido. Agora, pode acontecer que a espera seja longa, porque a afluência é significativa e os clientes do Ti Lena gostam de demorar-se à mesa. Um simples telefonema e a tranquilidade da refeição está garantida.

A casa que alberga o Ti Lena é essencialmente composta por xisto e madeira, o que lhe confere uma atmosfera rústica muito aconchegante. A salamandra de ferro, de um lado, e a lareira de chão, do outro, garantem a temperatura nos meses frios, e a esplanada aumenta a capacidade do restaurante nos dias quentes.

À chegada, a mesa já está posta à nossa espera, com pão de mistura, broa de milho e azeitonas que desaparecem num abrir e fechar de olhos. Num instante nos chega o vinho da casa e uma entrada à base de corações de peru – e precisamos de mais uma cesta de pão.

As especialidades são a Chanfana, o Cabrito Assado no Forno a Lenha com Batatas e Castanhas, e o Bacalhau Assado na Brasa com Batatas a Murro. Mas, conforme os dias, pode ainda contar com Feijoada, Bacalhau no Forno, Arroz de Pato, Costeleta de Vitela Grelhada, entre outros. A opinião é unânime: pratos confeccionados no ponto, sem temperos exagerados e com ingredientes de primeira.

Enquanto desfilam as iguarias, as anfitriãs aproveitam para pôr a conversa em dia com os clientes, amigos de longa data ou da presente data, que é também para isso que têm a porta aberta.

Ana Marta Ramos 2005-03-29