Sopas

Madeira - Roteiro de Sabores

O tomate e a abóbora são os principais ingredientes das mais conhecidas sopas madeirenses, a eles se aliando, quando a bolsa o permitia, um bom naco de carne. Indispensável em quase todas, é a segurelha, erva aromática que transmite a estas sopas um sabor inconfundível.

Tendo por base um bom refogado de cebola e tomate a que se junta carne aos bocados, a sopa de abóbora – também conhecida como caldo de boganga – leva ainda, além da dita que lhe dá o nome, ervilhas, batatas e, já no final, aletria. A abóbora boganga é a abóbora-chila do continente, também conhecida como “tanarifa” em certas localidades por ter sido introduzida na ilha através de Tenerife. Semelhantes na preparação são outras sopas de abóbora, como a de abóbora-tenra, a sopa de pimpinela (chuchu) e o caldo de carne, este sem a abóbora e as ervilhas, mas com nabo. Também levando abóbora é a muito popular sopa de couve, que inclui batatas, batata-doce, um pouco de carne de porco e o inevitável raminho de segurelha, consumida sobretudo no Norte da ilha.

As ribeiras e as levadas dão os agriões com os quais se faz uma simples, deliciosa e bem conhecida sopa. Com muito tomate e cebola, bem refogados e depois passados, confecciona-se uma excelente sopa a que, pouco antes de servir, se adicionam ovos batidos.
De textura gomosa é a sopa de trigo, em que ao cereal – depois de cozido até “arreguar” - se acrescentam banha e batatas na versão mais económica, carne de porco e legumes vários na versão rica. O milho serve também para confeccionar sopa: depois de cozidas as maçarocas em água temperada com sal e segurelha, pisam-se os grãos até ficarem em papa que, numas versões, vão então ao lume com leite e noutras se cozinham com carne e legumes.

Quando a escassez era maior – e noutros tempos era essa a norma – os madeirenses retemperavam as forças com um pouco de pão, água quente, aromas (segurelha e orégãos, alhos, pimenta malagueta) e um fio de azeite. Ou seja, confeccionavam uma açorda simples à qual, em podendo, juntavam ovos. Antigamente, os estudantes finalistas do liceu iam comê-la ao Poiso após o baile do dia 30 de Novembro.

Nos dias de romaria, à carne de vaca não utilizada nas espetadas junta-se cebola, tomate, cenoura e batatas, deixa-se cozer tudo muito bem, esmagam-se grosseiramente as batatas e obtém-se a sopa da romaria.

Rodeada de mar por todos os lados, não admira que o peixe fizesse parte da dieta alimentar da população, em especial dos pescadores. Com as cabeças e as barrigas dos peixes, e com a água do mar, faziam uma sopa de peixe muito apreciada. Geralmente, aproveitam-se as partes do peixe-espada que não são utilizadas nos filetes.

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