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Fazer esta viagem na Linha do Corgo evoca Teixeira de Pascoaes e o «Duplo Passeio», mais que não seja porque a maneira mais bonita de chegar à Régua é de comboio, percorrendo o troço mais panorâmico da Linha do Douro, entre Mosteirô e aquela cidade. A este primeiro passeio segue-se outro, o propriamente dito, pelo vale do Corgo acima, na automotora de via estreita até Vila Real.
Uma linha com História
Se, historicamente falando, o comboio chegou relativamente cedo à Régua (1878), demorou bastante mais a derivar para norte e transpor as vertentes cobertas de vinha, na direcção do planalto transmontano.
Só em 1903 é que se deu início à construção do troço inicial da linha, com 25,1 quilómetros até Vila Real. Considerando as dificuldades do terreno, traduzidas em curvas e contra-curvas de raio relativamente apertado e na pendente da via (que em muitos locais chegava a 1/40) é digno de registo que os trabalhos tenham demorado apenas três anos: a 12 de Maio de 1906, o comboio inaugural, transportando o rei D. Carlos, chegava a Vila Real.
As obras prosseguiriam até Vidago (1910) e Chaves (1921), perfazendo a linha, nesta sua extensão máxima, 97,6 km. Em Janeiro de 1990, o serviço seria suspenso para norte de Vila Real.
A viagem desenrola-se, portanto, no troço mais espectacular do ponto de vista paisagístico. Partindo da Régua em direcção a Vila Real, convém chegar cedo à automotora e tomar lugar do lado esquerdo (tenha presente que o arranque se fará para leste, para montante do Douro), de forma a melhor poder apreciar a paisagem.
Vistas para o Douro vinhateiro
Até ao final da ponte sobre a foz do rio Corgo (que conflui com o Douro imediatamente a montante da Régua), estes cerca de 1200 metros correspondem a um traçado comum com a Linha do Douro, apresentando-se a via algaliada, isto é, com carris de duas bitolas diferentes. Passado o Corgo, a automotora vira à esquerda e irá sempre acompanhar a margem esquerda deste rio.
A partir daqui começa a ascensão da encosta. Do lado contrário avistam-se socalcos vinhateiros, cuja monotonia é apenas quebrada por uma ou outra oliveira. O Corgo vai ficando cada vez mais lá em baixo, enquanto na vertente contrária se avistam os edifícios de grande quintas ligadas à produção do Vinho do Porto, como é o caso da Quinta de Campanhã ou da Quinta de Valado.
2006-09-13