Em parceria com a CP - Comboios de Portugal. Mais sugestões e todas as informações úteis em www.cp.pt.
De Lisboa a Castelo Branco, a viagem de comboio acompanha o estuário do Tejo, através das lezírias ribatejanas e das margens escarpadas beirãs. Paisagens bucólicas feitas de arrozais, pastos, e serras guardadas por castelos medievais, que nos lembram o Portugal de outros tempos.
Em Santa Apolónia, Lisboa, o sol nasce no Tejo, radiante, iluminando a estação, a cidade ainda meia adormecida e o comboio que vamos tomar, até ao Entroncamento. Aí trocaremos de locomotiva, rumo a Castelo Branco, para finalmente conhecermos os contornos da linha da Beira-Baixa - a favorita dos amantes de paisagens bucólicas.
A primeira paragem faz-se na estação de Lisboa Oriente, onde o rio serve de pano de fundo aos modernos bairros residenciais construídos após a EXPO 98, assim como à própria estação - estrutura belíssima concebida pelo arquitecto valenciano Calatrava, que nos deixa, no entanto, um pouco vulneráveis às intempéries.
Prosseguindo, atravessamos a fértil região das lezírias, solos formados por aluviões transportadas pelas águas do rio, que conferem às terras enorme produtividade.
Arrozais, pastos e lagunas compõem um cenário em tons de azul e verde surpreendente, após este longo ano de seca.
As estações de Vila Franca de Xira e Santarém, com os seus painéis de azulejo, são as mais belas e aparatosas, deixando entrever a importância dos caminhos-de-ferro no desenvolvimento das localidades que servem.
Nos braços da planície
No Entroncamento, onde almoçavam no século XIX escritores tão célebres quanto Hans Christian Andersen, Ramalho Ortigão e Eça de Queiroz, durante as suas viagens, há que aguardar alguns minutos.
Troca-se de comboio, juntam-se a nós mais uns tantos passageiros – a maioria munida de farnel substancial, que a viagem de inter-regional ainda é longa – e segue-se em direcção a paragens mais acidentadas, coroadas por vetustos castelos.
Ao ganharmos velocidade vamos desfiando povoações alvas e anónimas até se vislumbrar Vila Nova da Barquinha, cujo topónimo é evocativo do tempo em que não havia pontes a enlaçar as margens do rio.
Sara Raquel Silva 2006-11-08