Quando os termómetros ameaçam alcançar os 30ºC, o bom-senso manda sair das grandes cidades e usufruir da frescura da brisa e água atlânticas. Se vive no Porto e arredores é fácil: basta apanhar um dos muitos comboios regionais que percorrem a orla marítima até Espinho e escolher um areal dourado, dotado de bandeira azul (à semelhança das sugestões que se seguem), da chamada Costa Verde.
Aos fins-de-semana e feriados é, ainda, possível transportar a bicicleta no interior da carruagem e juntar ao prazer de passear pelos passadiços junto ao mar o de descobrir, a duas rodas, as ruazinhas tranquilas da Aguda, Miramar, Granja ou Espinho.
Madalena, a tranquila
A poucos minutos da estação de Campanhã surge Madalena, freguesia eminentemente agrícola, dotada de duas belas praias de águas calmas: Madalena Norte e Madalena Sul.
Situam-se a cerca de 30 minutos a pé do apeadeiro, pelo que esta é a escolha ideal para quem se faz acompanhar da bicicleta ou é adepto de longas caminhadas (existem também camionetas que fazem a ligação à praia).
Madalena Sul é a mais tranquila, assim como o mar que a banha, amparado pelas rochas. Dispõe de uma esplanada de praia que faz serviço de refeições e de dois ou três restaurantes, já fora da linha de areia.
Madalena Norte, por seu lado, usufrui de um ambiente cosmopolita, estando rodeada por edifícios, bares e restaurantes. Possui dois campos de voleibol, usados nas partidas do campeonato nacional e pelos amantes da modalidade ao longo de todo o ano, além de um passadiço convidativo a passeatas, através das dunas – característica comum à maioria das praias da região, recentemente requalificadas ao abrigo do programa Polis.
Os mistérios do Senhor da Pedra
Uns poucos quilómetros à frente, próximo de um dos mais antigos campos de golfe de Portugal, e rodeado de casas luxuosas, situa-se o concorrido areal de Miramar.
A praia do Senhor da Pedra, no extremo norte, é das mais frequentadas, talvez devido à curiosa capela que a preside, construída em 1744, mesmo sobre as rochas. Diz-se que preservam marcadas as "Pegadas do Boi Bento", um culto pagão misterioso e remoto. Ainda hoje o local é associado a rituais menos ortodoxos, que nem a romaria católica que aí se realiza todos os Verões consegue apagar.
Sara Raquel Silva 2006-09-06