Sobre carris - De Lisboa à Figueira da Foz

Por entre colinas, pinhais e arrozais

Em parceria com a CP - Comboios de Portugal. Mais sugestões e todas as informações úteis em www.cp.pt. A linha do Oeste, no seu conceito original, ligava Lisboa à Figueira da Foz, passando por Torres Vedras e Caldas da Rainha. De 1888, data em que este itinerário foi inaugurado, até aos nossos dias, as lógicas de exploração mudaram, tal como mudou a própria região servida pela via-férrea.

Hoje, o ponto de início da linha é a estação de Meleças/Mira-Sintra, perto do Cacém, sendo o troço Lisboa-Cacém considerado unicamente como parte da Linha de Sintra. De qualquer das formas, os acessos de comboio a partir de Lisboa-Oriente, Campolide ou Roma-Areeiro são muitos e frequentes. A Linha do Oeste vai percorrer cerca de 200 km até à Figueira, atravessando duas regiões distintas do ponto de vista sócio-geográfico: até às Caldas da Rainha (o que corresponde, sensivelmente, a metade do trajecto) e daí até à Figueira. Curiosamente, se a primeira metade da viagem decorre através da zona ainda polarizada por Lisboa, o desenho e o ambiente das estações são caracteristicamente oitocentistas. É o caso dos alpendres de ferro protegendo os cais, dos característicos edifícios das estações com rés-do-chão e primeiro piso e do tipo de escrita dos painéis com os nomes das gares.

Até às Caldas está-se em pleno reino do azulejo ferroviário: são decoradas a rigor as estações de Mafra (Carlos Mourinho, Gomes e Salvador, 1934), Outeiro (onde poderá ver uma curiosa representação da batalha entre anglo-lusos e franceses em 1808, da autoria de J. Oliveira, também criador dos famosos azulejos da estação do Pinhão, Linha do Douro), Bombarral (onde as alusões à viticultura não podiam faltar – Jorge Pinto, 1930), Óbidos (com representação de alguns aspectos da vila-património – J. Victória Pereira, 1943) e Caldas da Rainha (Carlos Aleluia, 1924). A primeira parte da viagem até Torres Vedras é um trajecto sinuoso mas pelo meio de paisagens bonitas. O comboio vai atravessar pelo caminho mais plano possível o labirinto de colinas que, em 1810, estando fortificado, travou a III Invasão Francesa. Olhando para a esquerda nas curvas mais longas conseguem ver-se de diversos ângulos o Castelo dos Mouros e o Palácio da Pena. Outra visão inevitável, esta do lado direito, é a escalvada serra de Montejunto.

Lifecooler 2007-01-03

Receba as melhores oportunidades no seu e-mail
Registe-se agora