São Rosas - Estremoz

Excelência para além do Tejo.

É no lugar mais nobre de Estremoz que há cerca de 18 anos Margarida Cabaço teve a coragem de fazer o seu restaurante. Não foi preciso muito tempo para que no passa-a-palavra ficasse conhecido da classe «gourmet» portuguesa. E não só. A clientela espanhola é bem visível no aparato do parque automóvel, frente à pousada vizinha. 

Fenómeno mais raro - pois abrir um restaurante não é propriamente um caso excepcional - foi mantê-lo dentro do padrão de qualidade imprimido desde o início. Para ser mais clara, não foi bem mantê-lo mas, melhor ainda, melhorá-lo.

Quer isto dizer que hoje, quase a chegar às duas décadas, o São Rosas é uma referência inevitável na gastronomia portuguesa. E é na tradição nacional, na riqueza, passe a contradição, da simplicidade da cozinha tradicional alentejana, que se baseia.

É, efectivamente, na qualidade dos produtos marcantes do Alentejo - e falamos do porco preto, do borrego, dos enchidos e das ervas -, que tudo começa. Segue-se a triagem na selecção dos pratos, que serão, não só, nem apenas, os mais representativos mas que constituem uma escolha equilibrada e elucidativa da ideia do que pode ser a oferta de um bom restaurante alentejano.

São muitas as escolhas que o São Rosas manteve ao longo de todo este tempo, tendo, pouco a pouco, vindo a fazer uma incursão em pratos fora da área de raiz tradicional. Mas também temos que pensar que no Alentejo pode apetecer, de vez em quando, variar com, por exemplo, um rosbife com molho de paté ou um tornedó com molho à escolha. Nada que destoe do equilíbrio da ementa. Pelo contrário.

À moda do Alentejo

Sendo assim, vamos entrar. A casa, recuperada numa linha clássica, desperta logo vontade de ficar. O conforto é óbvio. Mesas de boa dimensão, cadeiras confortáveis, tudo posto a rigor. À direita, um espaço de espera, o que é frequente, devido à afluência, com bar de apoio.

Seguindo uma selecção lógica, refiram-se, então, as entradas: cá está a farinheira assada, o chouriço alentejano, os enchidos tradicionais de porco preto, num terceto de excepção. Quente, as tais Amêijoas à Bulhão Pato, os Cogumelos com alho e duas versões de omelete na textura cremosa devida. 

Mafalda César Machado 2006-09-27

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