O reino do grés vermelho
Apesar de ser uma cidade algarvia, dá ares de burgo romano ou mesmo toscano, muito por culpa da sua cor vermelha que encontramos nos principais monumentos e também nas muralhas do castelo. É o grés vermelho, material que abunda na região, empregue na construção dos edifícios, dando-lhe uma aparência muito característica, especialmente porque se encontra em abundância nas muralhas do castelo e da cidade antiga, espalhadas um pouco por todo o lado.
Junto do acolhedor Largo do Município, onde por entre fontes, árvores frondosas e esplanadas convidativas, as pessoas cruzam-se e algumas param para dois dedos de conversa à sombra. A um canto do terreiro, abre-se um pedaço de muralha que não é mais do que uma rua. Entrando por uma arcada que lembra um pórtico, chega-se a uma confluência que se divide por sua vez noutras duas ruas. Cortando para cima, entra-se numa zona pedonal onde muito próximo dali se encontra o Museu Municipal.
A entrada nem dois euros custa e merece a visita, pois no seu interior, entre outras peças de interessante valor, destacam-se as cerâmicas árabes e o interessantíssimo poço cisterna, revestido a alvenaria e taipa. De origem muçulmana, tem 18 metros de profundidade e um diâmetro de dois metros e meio. É engraçado ver como resistiu tantos séculos quase intacto, mesmo depois de ter sido completamente entulhado e sobre ele se ter construído uma casa. É um crime fazer uma coisa destas mas como aconteceu no século XVI, há sempre a desculpa da falta de sensibilidade naqueles dias.
Da Sé para o Castelo
Pensa-se que possivelmente terá existido neste local uma velha mesquita, mais tarde arrasada, e sobre os seus escombros terá sido erguida uma igreja, como tantas vezes aconteceu durante a reconquista cristã.
A Sé de Silves é a igreja gótica de maior importância no Algarve, com uma clara influência do Mosteiro da Batalha. E apesar dos abalos sofridos pelo sismo de 1755, ostenta uma aparência impecável.
Por detrás da Sé, junto a umas escadinhas, encontramos o animado Bar do Inglês. Cá fora é a esplanada, mas no interior, de decoração moderna e sofisticada com um travo de rústico, descobrimos mais do que um bar, um agradável espaço de convívio, onde também servem um fantástico peixe recheado com amêndoas.
N'Dalo Rocha 2004-08-24