Serra de Montejunto

Uma Fábrica Real que há 200 anos produzia gelo para a corte. Conventos abandonados, torres de telecomunicações, pinheiros, carvalhos, carrasqueiros e eucaliptos. Isto é a Serra de Montejunto.

A caminho do cume

Após o Cercal, aldeia simpática que delimita a norte a Serra de Montejunto, é tempo de partirmos para desvendar o que se esconde por detrás dos montes. Por entre as árvores, seguimos pela estrada até nos depararmos com uma gigantesca pedreira. São camiões a entrar e a sair, uns carregadinhos de brita e outros com os semi-reboques vazios, porque apenas vêm buscar pedra.

Olha-se para o poço cheio de água, assim como o monte que desapareceu e deu lugar ao emaranhado de estradas que o serpenteiam, lembrando até as listas da casca do caracol. Por elas, circulam retro-escavadoras que vão abocanhando lentamente grandes troços de terra. O espectáculo é até meio desolador. Deixando a pedreira para trás, voltamos a estar rodeados de verde, por alguns carvalhos e carrasqueiros que se confundem com os eucaliptos, plantados pelo homem. Infelizmente, estes últimos são fruto de um processo de reflorestação, nem sempre muito equilibrado. Devido aos grandes incêndios que se fizeram sentir nos anos 80 e 90, parte da sua mancha florestal desapareceu. Contudo, esta serra está longe de ser um lugar deserto ou desolador, como acontece com algumas zonas da Serra de Estrela. E nem mesmo do cume se avistam clareiras com troncos de árvores queimadas, apenas copas de árvores e capim. Difícil de encontrar é alguma da espectacular fauna local como os gatos-bravos, texugos ou tritões. Com sorte, quem sabe...

Real Fábrica do Gelo

Após a aldeia de Pragança, torna-se mais acentuada a estrada que nos conduz à Real Fábrica do Gelo. Pelo caminho, cruzamo-nos com alguns madeireiros que descem a caminho do Cadaval. A mais de 100 metros de altitude, conseguimos ver sem qualquer dificuldade as extensas pradarias do Oeste e até o Bombarral. As placas indicam que chegamos, porém em vez da Fábrica, é um quartel da força aérea que encontramos.

Mas evite fazer como todas as pessoas que desconhecem a área e em vez de importunar o pobre soldado que faz a guarda, contorne o quartel e pare o carro junto ao parque das merendas. Aí, um carreiro de laje conduz-nos a um segundo portão de barras de alumínio que normalmente se encontra encerrado. Puxe o trinco com força e avance.

Após 50 metros, avista-se à direita os tanques de pedra. Podiam ser salinas, mas não. Na verdade, eram 44 os tanques onde por efeito das baixas temperaturas a água se transformava em gelo. Ao fundo, a Casa da Nora. Era este o local onde se encontravam os poços que através de uma nora, bombeavam a água para pequenos canais a partir dos quais se enchiam os tanques.

N'Dalo Rocha 2003-04-08

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