Lembras-te do anúncio da TV onde o miúdo afirma que a mãe é a maior porque está a salvar o mundo? Não é com certeza publicidade enganosa, apesar da dita senhora não ter super-poderes ou um fato de super-heroína. O anúncio vale porque chama a atenção para um problema que nos aflige cada vez mais, o lixo. Os números não mentem e hoje em dia produzimos cada vez maiores quantidades de lixo urbano. Tomando como exemplo a rotina diária de uma família de quatro pessoas, é fácil perceber que entre os restos de comida, sacos plásticos, embalagens usadas, garrafas vazias, latas, embalagens, cartões, folhas de papel, o jornal ou mesmo o conteúdo do cesto da casa de banho, fazem alguns quilitos. E normalmente tudo acaba onde? Dentro de um grande saco do lixo, daqueles que já dispensam atilhos. Puxas os cordões e atiras com o fardo para dentro do contentor. Já está, assunto arrumado! A seguir, desligas. Pois é, assim é mau e pior ainda se pensares que os outros também actuam como tu. Multiplica esta caldeirada toda por alguns milhares de famílias e verás que mesmo as cidades de pequena dimensão são responsáveis por muitas toneladas de lixo desaproveitado.
É um ciclo vicioso ao qual ninguém se pode excluir, pois lembra-te que: existes, logo poluis! E fazendo jus à velha máxima do “Se não podes vencê-los, junta-te a eles”, a melhor maneira de minimizar o problema é proceder à separação dos resíduos que podem ser reciclados. Um gesto simples mas de suma importância que poupa o ambiente. É que caso não saibas, enquanto um simples papel pode demorar meses a desaparecer na natureza, um filtro de cigarro tarda cinco anos para transformar-se em bio-degradável, um saco plástico cerca de 200 anos e um caco de vidro perto de 1 milhão de anos. Pensa duas vezes antes de partires uma garrafa propositadamente no campo. A forma de baixar as estatísticas passa por algo que já deves conhecer, o ecoponto. Na verdade são três caixotes enormes de cores diferentes que ficam lá na esquina do bairro e servem para fazeres a separação dos resíduos. Verde, amarelo e azul. Não combinam com nenhum clube de futebol mas isso pouco importa. Fixa apenas que o verde serve para vidros como garrafas de água, vinho e cerveja, garrafões se couberem na entrada, frascos, boiões de compota etc. Evita é depositares vidros com armações lá dentro, cerâmicas as tampas dos frascos ou as rolhas das garrafas. O contentor amarelo está preparado para receber qualquer tipo de plásticos como sacos e frascos, embalagens de cartão dos detergentes desde que tenham alguma fita metálica, embalagens metálicas como as latas de atum e latas de spray. Porém, evita as embalagens que tenham gorduras como pedaços de comida, produtos tóxicos ou pilhas. Para estas, alguns ecopontos têm pequenos recipientes de lado de cor vermelha, também chamados de pilhómetros. Finalmente o contentor azul destina-se ao cartão e papel, onde podes depositar os jornais velhos, livros e revistas, mas deves evitar papéis metalizados ou plastificados como as embalagens dos aperitivos, por exemplo. De qualquer modo, as instruções estão lá e se tiveres alguma dúvida é só confirmares no próprio lugar. E já agora, só mais uma dica. Lá em casa o ideal é ter mais de um caixote, ou pelo menos alguns sacos de plástico onde se vão enfiando os jornais, as embalagens e as garrafas, de maneira a facilitar as operações quando chegares ao ecoponto. Colabora.
N'Dalo Rocha 2004-02-23