Sem Espinhas Praia do Cabeço

Longe vão os tempos em que a praia do Cabeço era um segredo bem guardado, tão perto e ao mesmo tempo tão longe do bulício de Monte Gordo, ali mesmo ao lado. Se hoje é um local incontornável do verão algarvio deve-o, em boa parte, ao Sem Espinhas. É claro que o areal a perder de vista e sem construção à volta cativa qualquer um mas a cor e a vida deste restaurante também já conquistaram muitos adeptos.

Cor é, de facto, coisa que aqui não falta, a começar pela esplanada à entrada com os seus chapéus-de-sol azuis, verdes, amarelos e laranja. E vida muito menos, sobretudo nos meses mais quentes, quando esta zona se enche de gente e qualquer mesa livre tem tanto de luxo como de achado.

No interior voltamos a encontrar os mesmos tons quentes e vibrantes, desde as cadeiras e tetos aos quadros brasileiros que emolduram as paredes. Uma espécie de cantinho tropical a fazer lembrar paraísos mais meridionais mas refrescado por uma brisa atlântica que as janelas (amovíveis) desta casa de madeira convidam a entrar.

Sabores genuínos

A decoração foi inspirada noutras paragens mas a comida é bem portuguesa. E isso não significa que não possa ser reinterpretada com um toque contemporâneo, como acontece por exemplo com o fumet (caldo) aveludado de ostras, compradas ali bem perto nos viveiros da ria Formosa. De qualquer forma a maioria das propostas não precisa de tradução e faz jus aos melhores sabores algarvios.

Esta preocupação salta à vista logo nas entradas, caso da sardinha alimada com batata-doce, do atum “à Fábrica” ou da muxama, especialidade de Vila Real de Santo António com lombo de atum seco e passado por flor de sal. E o mesmo até acontece numa das saladas – a do Monte -, que junta o presunto ibérico aos figos e queijos de cabra algarvios.

Nos pratos principais, o peixe é rei e senhor e tem honras de destaque numa grande vitrina colocada à entrada do restaurante. A ementa diz que são da costa de Monte Gordo e grelhados por um pescador local, enquanto os empregados garante-nos que não podia ser mais fresco. Bem tradicional é também o arroz de lingueirão, o bacalhau à algarvia e a açorda de bacalhau e gambas na carcaça.

Petiscos, o mar e um pufe

Quem não dispensa a carne também pode contar com várias opções, seja em modo de costeletas de borrego, secretos de porco preto ou espetadas de novilho. E para acompanhar, a carta de vinhos apresenta mais de uma centena de referências de néctares, champanhes e espumantes. Os portugueses estão em maioria mas também há proveniências tão diversas e inusitadas como Áustria, Nova Zelândia e Chile.

No final, vale a pena guardar um cantinho do estômago para os doces. Haverá coisa mais gulosa que um Dom Rodrigo, um doce conventual ou um figo à algarvia em calda de citrinos? É provar para comprovar.

Em tempo de férias as refeições no Sem Espinhas costumam prolongar-se pela tarde ou noite fora. E nesses casos vale a pena passar de uma mesa para os pufes espalhados em pleno areal. Entre mergulhos, copos, petiscos e boa disposição, o verão tem mais sabor por estas paragens.
Assim é desde os anos 70, quando o primeiro Sem Espinhas não passava de um pequena barraquinha de praia. Depois dele o grupo abriu mais três restaurantes (Sem Espinhas Natura, Manta Rota e Guadiana) mas para os puristas da Praia do Cabeço não há, nem nunca haverá, amor como o primeiro.

Nelson Jerónimo Rodrigues 2013-07-18

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