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Rota do Românico

Pedra sobre pedra, estórias sobre história

São tantos os monumentos e pontos de interesse da Rota do Românico que, para ser vista com olhos de ver, foi dividida em vários percursos. O que agora apresentamos dá a conhecer o património de três concelhos, numa viagem entre mosteiros, torres e memoriais.  Siga os passos de monges e cavaleiros à descoberta desta história milenar talhada a granito.

58 monumentos, 12 concelhos, centenas de quilómetros por múltiplos caminhos. Os números da Rota do Românico impressionam e despertam o apetite para os amantes da história e da natureza mas também aconselham vários dias de passeio para quem ousar descobrir tão vasto património. A melhor alternativa é fazer uma rota dentro da Rota, como este que revela 10 monumentos por terras de Paredes, Penafiel e Castelo de Paiva.

O Mosteiro de São Pedro de Cête, no concelho de Paredes, marca o início deste passeio e é um bom exemplo do cruzamento de estilos que iremos encontrar ao longo do caminho. Vale a pena, por isso, comparar o portal lateral norte, declaradamente gótico, com o portal principal, símbolo do românico tardio. Dois momentos marcantes na vida de um templo milenar que revela a importância das ordens religiosas no nascimento e afirmação do reino.

A um par de quilómetros dali fica a Ermida de Nossa Senhora do Vale, com origens românicas e várias alterações posteriores, onde merece destaque uma pintura mural com anjos músicos. E aqui nos despedimos da margem norte do Sousa, uma vez que a próxima paragem fica já do outro lado do rio.

A joia de Egas Moniz

À entrada do concelho de Penafiel encontramos um dos mais emblemáticos testemunhos da arquitetura românica portuguesa: o Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa. Esta importância deve-se às técnicas e temas utilizados (figuras de animais e padrões vegetalistas que revelam a influência do mundo rural) mas também porque guarda o túmulo de Egas Moniz, aio de D. Afonso Henriques que doou metade da sua fortuna a este templo beneditino. Para o visitar é necessário fazer marcação antecipada ou passar por lá nos dias de culto (sábado às 21 horas e domingo às 7h30 e 11 horas) mas só o exterior já justifica a viagem. Além da igreja, onde saltam à vista uma grande rosácea e um harmonioso portal, o espaço envolvente revela ainda um belo claustro quadrangular e uma torre sineira que escuda uma enorme camélia.

Contrastando com a imponência do Mosteiro de Paço de Sousa, o Memorial da Ermida, em Irivo, prima pela simplicidade. No entanto, este arco do século XIII (que a lenda atribui ao cortejo fúnebre de D. Mafalda) é considerado pelos historiadores uma peça notável e, como ela, só existem outras cinco em Portugal. Destas, quatro fazem parte da Rota do Românico, o que diz muita da importância deste território.

Depois de quatro locais muito próximos é tempo agora de fazer um pequeno esticão rumo a Abragão, onde fica a Igreja de São Pedro. Da época românica este templo conserva apenas a cabeceira (séc. XIII) mas mesmo assim trata-se de um dos mais significativos testemunhos deste tipo de arquitetura na região.

Depois do Sousa, o Tâmega e o Douro

Seguindo na direção de Entre-os-Rios, já nas proximidades do Tâmega, vale a pena fazer mais dois pequenos desvios. O primeiro rumo à Igreja de São Gens de Boelhe, um templo pequeno e aparentemente simples mas enquadrado num belo cenário e com detalhes (como siglas geometrias e alfabéticas) bastante singulares.

O outro faz-se no sentido de Rio de Moinhos, em busca da Igreja do Salvador da Cabeça Santa, cujo nome deve-se a um crânio que esteve guardado (em pleno altar) num relicário de prata. Este foi entretanto roubado mas há outros pormenores interessantes, como a imagem de um homem (deitado e agarrado pela boca de um animal) que simboliza o ser humano aprisionado pelo pecado.

Para visitar o próximo monumento, o Marmoiral preciso atravessar o Douro pela ponte Hintze Ribeiro (após Entre-os-Rios) no sentido de Castelo de Paiva. À entrada da povoação há-de encontrar este curioso memorial, também ele associado a D. Mafalda, mas que ao contrário dos outros não ostenta qualquer arco. Se tiver tempo poderá aproveitar para visitar a vila, caso contrário volte sem mais demoras para trás, rumo a Entre-os-Rios, onde fica a penúltima etapa oficial deste percurso.

Da Boca do Inferno às vistas do paraíso

Situada na margem direita do Tâmega, a Igreja de São Miguel de Entre-os-Rios (ou de São Miguel de Eja) está enquadrada por uma bela paisagem, que salta à vista antes mesmo do próprio templo. No entanto, neste exemplo do românico tardio também não faltam razões para uma olhar mais atento, como o portal norte (mais rico que o portal principal) ou o retábulo-mor.

O percurso aproxima-se a passos largos do fim mas antes do último destino – Aguiar de Sousa - é quase obrigatório fazer mais dois desvios, desta vez para visitar a aldeia preservada de Quintandona (não deixe de beber um copo no wine bar Casa da Viúva) e a Boca do Inferno da Senhora do Salto, uma garganta de escarpas afiadas por onde corre o rio Sousa.

A Torre do castelo de Aguiar de Sousa é o sítio ideal para terminar a viagem, não tanto pelo valor patrimonial mas sobretudo pelo simbolismo que carrega. Atacado por Almançor (califa mouro) em 995, foi também um importante posto defensivo no século XI e um influente julgado do século XIII. Desses tempos pouco resta, a não ser alguns vestígios da fortificação medieval e uma localização privilegiada que oferece um cenário de sonho.

Rodeado de montes e com o rio Sousa ao fundo, faz-nos perceber que a Rota do Românico tem tanto do Homem, que talhou a sua fé no granito, como de Natureza, em alguns locais ainda incólume. Juntos, são peças-chave de um puzzle quase milenar quer nos leva até ao despertar da nacionalidade.

Rota do Românico

www.rotadoromanico.com

Telf.: 255 810 706

Distância de Lisboa: 330 Km (Para Paredes)
Percurso recomendado: A1, A41, A4
Custo das portagens: 21.60€

Distância do Porto: 60 km (Para Paredes
Percurso recomendado: A4
Custos das portagens: 1.60€

2016-12-09