Mais de vinte anos passaram desde que foram tiradas estas primeiras fotografias que agora vemos. Algumas delas tiveram que ser extraídas do álbum onde estão guardadas e levadas até ao local retratado para melhor compreender as mudanças. Conhecida a história e vistas as imagens é fácil pôr a imaginação a funcionar mas, antes disso, ninguém diria o que albergaram estas casas, nem a vida que tinha esta aldeia.
A estrada de terra batida que dá acesso à casa, continua igual, sem alcatrão e estreita para carros que viajassem nos dois sentidos, ainda que fossem carros de burros. Agora existe a nacional 262 que levou o trânsito para mais longe.
A antiga tasca também já não serve “copos de três” ou outras especialidades. O vinho já não é carrascão e serve para acompanhar uma refeição caseira, quando reservada com antecedência. O proprietário, artista plástico e cozinheiro profissional, trata daquilo que sabe e nós ficamos com a certeza que a missão fica em boas mãos.
Vai um copo?
Depois do jantar é o que melhor sabe, um digestivo ou porque não uma infusão, feita com os aromas da terra. Na sala com lareira também existe televisão, mas nem foi preciso ligá-la. Os temas que vão surgindo justificam por inteiro o serão.
Sentados à volta da mesa de madeira de tamanho familiar, ou para quem preferir a suavidade dos sofás, aqui descansa-se o corpo, enquanto se lê um livro ou simplesmente folheia uma revista, das muitas que existem na casa.
Acompanha os visitantes a música, calma e à escolha. A colecção de cd’s está à vista e responde quanto à selecção musical disponível. Fica-se com pena que a harpa que hoje embeleza a sala só sirva para decoração e não haja um corpo dócil e elegante que com ela produzisse harmonia.
A tasca
A agradável sala divide o mesmo espaço com a cozinha, antiga tasca. Se é verdade que todo o espaço convida ao descanso, não menos verdade é que este cantinho da casa é o mais castiço. Os utensílios de cozinha, todos expostos, decoram ao mesmo tempo que estão à mão, prontos para serem usados. Penduradas, por cima do balcão ficam as ervas, panelas e os tradicionais canecos de barro. Tudo muito típico.
A descrição poderia levar a pensar que a taberna ainda funciona… mas já fechou, ainda que os proprietários tenham sabido preservar o ambiente do sítio. Até o balcão de mármore ficou e com ele todo o encanto de uma tasca à antiga.
Paula Oliveira Silva 2007-01-03