Restaurante Zé Varunca – Parede

De Estremoz para a Linha, um caso sério de sucesso.

Leva e traz o comboio de Lisboa para Cascais e a meio do caminho há quem fique na Parede por uma razão bem forte. "Zé Varunca” é o nome do restaurante e do homem que comanda a casa. Para quem a noite é mais dada à folia que ao descanso, é mesmo a melhor forma de se divertir sem preocupações com a bebida e de onde deixar o carro. Não são só os clientes que vêm de longe. A primeira casa nasceu em Estremoz, e é de lá que vêm, semanalmente, quase todos os produtos. Na Parede estão há quase dois anos mas o sucesso é de tal forma que a necessidade de reserva não é só aconselhável como obrigatória.

Embora pequenas, três são as salas que aconchegam os amantes da cozinha do sul do país. Tudo quanto ao campo diz respeito encontra-se espalhado pelos tectos e paredes. Fotografias a preto e branco de algumas tarefas que hoje quase não existem, painéis de azulejos de Estremoz, cabaças, tarros e até uma roda de carroça. Decoração a puxar para o rústico, portanto. Misturado com isto, o espaço para o orgulho, onde são exibidas as reportagens sobre o restaurante que atestam a qualidade e recomendam o serviço. Pode ser que a do Lifecooler também lá vá parar. Forte nos temperos, a cozinha alentejana vive de um passado que ainda é presente. À mesa que era parca somou-se imaginação e habilidade, o que resultou numa cozinha rica. Encarregada do comando dos tachos e das panelas está a mulher. A ementa pode ser a grande surpresa devido à selecção de cerca de 6 sugestões diárias que não se repetem nos restantes dias da semana. E os preços médios dos pratos rondam os 9,50 euros. Doses muito bem servidas, aliás. Para além dos pratos mais conhecidos encontramos aqui outras preciosidades mais difíceis de encontrar. Será o caso do cozido de grão, das bochechas de bácoro alentejano, do feijão branco com tromba de porco, da sopa da panela, da língua de vitela e das migas no cacete. Este último uma espécie de emblema da casa.

Ingredientes escolhidos a dedo o que se comprova, por exemplo, na carne de vitela que é tão tenra que se desfaz apenas com a entrada em cena do garfo. Entra ainda no rol das especialidades as entradas, tão variadas quanto apetecíveis. A saber: perna de rã panada, ovos de codorniz cozidos, salada de ovas, pimentos assados... aliás, é assim que começa a refeição com um gostinho especial que alguns podem ter de comer em loiça regional de barro pintada à mão. O vinho só poderia acertar pela mesma batuta. Daí que a cerca de meia centena de presenças sejam alentejanas. O mais caro é da cepa de Estremoz, Vila Santa e custa 24,75 euros. Não mais que isto. Se não fosse pelos pratos, seria pelas sobremesas. Doçaria conventual variada, onde para além das referências fixas, diariamente se vem juntar uma outra sugestão. Consoante a escolha pode trazer o recipiente em barro para recordação. Há muito boa gente que inclusivamente já faz colecção. Se não houver digestivo, os cafés e chás aromatizados são uma boa forma de terminar a refeição. Diga adeus e até à próxima.

Informação Detalhada

Paula Oliveira Silva 2004-04-06

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