Restaurante São Rosas – Estremoz

E que bem que cheiram! Têm o aroma inconfundível do Alentejo...

É uma pena vir ao São Rosas e não visitar Estremoz. Pelo menos o património que se encontra na vizinhança, que do outro, o gastronómico é o tema do artigo. A Capela da Rainha Santa, a Igreja de Santa Maria e o castelo. Ou então, já para não dizer “e ainda”, o Museu Municipal e a Galeria de Desenho. Se a vinda for ao fim-de-semana, convém reservar mesa, afinal não somos os únicos a apreciar a melhor cozinha da cidade.

São Rosas por causa da lenda associada à Rainha Isabel que transformou o pão na dita flor. Mas apenas a tradição e o espaço são de há séculos atrás, já que o esmero e a elegância com que mimam os clientes, vêm de há nove anos. O local é nada mais nada menos que a zona mais nobre da cidade e a casa, a antiga habitação dos serviçais do castelo, está num primor. A decoração clara, em tons terra e branco, causa simpatia logo ao primeiro olhar. Tijoleira antiga no chão e vigas de madeira no tecto. A fazer a ligação, as toscas paredes caiadas de branco. A sala é para 40 pessoas e está feita de recantos agradáveis. A cozinha prepara os produtos próprios das devidas alturas. Ainda assim, a ementa é fixa e vasta. Até o couvert acaba por surpreender com uma saborosa pasta de chouriço. O pão, esse, já se encontra na mesa, guardado num bonito saco de pano, daqueles que utilizávamos, precisamente, para ir ao pão. Que propostas regionais se pode pedir? Farinheira assada, chouriço alentejano, enchidos tradicionais de porco preto e até cogumelos ao alho. Uma sopa de tomate com peixe e ainda peixe como prato principal numa carta onde a grelha tem algum protagonismo. Choquinhos com tinta e vinho tinto para paladares mais fortes e, claro, carnes. Na ementa comparecem o borrego e o porco, preto também. Algumas sugestões: burras, chispe, entrecosto com ou sem migas. Quem se apressar ainda consegue espargos bravos e túberas, um tubérculo apenas detectado pelo farejar dos porcos. Refeições imaginativas, onde as ervas têm assaz importância.

Para último acto, pudim de água, encharcada, papos de anjo, pão-de-ló de Alfeizerão ou pêras com chocolate quente. Boa selecção internacional de vinhos e muita receptividade dos sucos alentejanos. Quanto ao digestivo e ao café, podem ser tomados no terraço delimitado pela muralha. Um espaço aprazível, indicado para quem não quer sair de rompante. O tipo de restaurante indicado para a degustação na companhia de alguns amigos. Para carteiras menos prevenidas, o preço final da refeição é que pode ser o espinho desta rosa. Mas vale bem a pena.

 

Paula Oliveira Silva 2003-08-19

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