Ocupa o local de um outro restaurante (sobejamente conhecido entre os setubalenses) que ali serviu durante 25 anos. Chamava-se Roda e esteve encerrado anos a fio, mas desde Abril de 2002 ganhou o sobrenome, “das Iguarias”.
Está perto do cais de embarque para Tróia, a caminho da cidade profunda de ruas estreitas e tortuosas. Não há muito que saber. Um placar junto à estrada aponta o caminho.
Como apresentá-lo? Assim de uma só assentada, um restaurante que aposta na carne na terra do peixe. Em termos de ambiente, algumas mudanças tiveram que ser levadas a cabo que o conceito não era o mesmo.
O espaço e o serviço foram aprimorados. A madeira é vista no tecto em vigas, algumas meio toscas, e na parede até meio. A sala não é muito grande mas com bom tempo também se serve na esplanada de calçada portuguesa.
Lá dentro, a atmosfera é quente por influência da cor vermelha das toalhas e do amarelo das paredes. Penduradas por toda a sala estão fotografias a preto e branco da Setúbal de outros tempos, que poderão ser vistas em pormenor num livro disponível para esse efeito.
Venha o que interessa. Nos vinhos duas regiões estão mais fortalecidas. Setúbal por razões óbvias e Alentejo, por qualidade e proximidade. Os tintos têm maior representação porque a carne assim o pede e mesmo o peixe da forma como é confeccionado não o desdenha.
Dependendo do que escolher como prato principal da refeição, três entradas dão logo nas vistas. Umas Pataniscas de bacalhau se continuar com o peixe, uma Linguiça frita para quem segue a carne e Cogumelos ao alhinho com coentros quer para um, quer para outro.
O couvert é diversificado. Para além do habitual (pão, paté e azeitonas) ainda há a hipótese de uma manteiga de ovelha para barrar o pão, um queijo de Azeitão e duas saladinhas, uma de pimentos e outra de cebola.
A refeição vem empratada e apesar de não muito ornamentada nota-se um cuidado na apresentação. Se o molho for de queijo, asseguraram-nos que é derretido na hora, se levar tomate, o procedimento é o mesmo. Acaba por ser mais demorado, mas a explicação é essa.
A tendência é para uma fusão de sabores. É de Portugal que se fala com Bacalhau à tio Humberto assado no forno e desfiado com batatas a murro, alho, cebola, azeite e ovo. E continua a sê-lo quando se prova o Porco preto temperado com massa de pimentão.
Mas outros serão os destinos escolhidos, embora a proveniência da carne seja o Brasil. Há Picanha e todos os dias ao almoço, Feijoada à brasileira para duas pessoas com direito a couve mineira e farofa. A corvina com molho de manga também é opção.
De Leste, o Strogonoff e ainda uns Escalopes com molho napolitano, béchamel e vodka. Fusili a acompanhar um sabor que é picante.
Depois há as Massas à italiana e o Bife à parmegiana de alcatra panado, coberto com mozzarela e gratinado... De França outra forma de cozinhar a carne... A lista continuaria com a carne encostada a tantos outros sabores distintos.
A despedida dá-se com mousse, gelado ou melhor ainda, com um bolo de chocolate que se desfaz na boca. Hummm!
Paula Oliveira Silva 2004-03-16