Restaurante Melting Pot - Cascais

Um alentejano em Cascais

Normalmente quando vamos a um restaurante, entregam-nos uma carta, escolhemos e pedimos. É o normal. Habituamo-nos a isto.

Aqui não!

Sentamo-nos e começamos por escolher o vinho. Resolvida a escolha, começa um verdadeiro desfile de culinária. São doze pratos doze, que vamos ter oportunidade de saborear. E quais? Não é fixo, uns dias serão uns, outros dias serão outros. Tudo depende do que a praça tiver para oferecer.

O responsável, Rui Fialho, um alentejano com sotaque de Cascais, começa o dia por ir ao mercado, escolher os produtos mais frescos e da melhor qualidade. Pode parecer um anúncio esta frase, mas é assim mesmo.

À tarde chega ao restaurante, (não se servem almoços) liga o rádio ou coloca um CD, e começa com vagar e carinho a preparar as iguarias que servirá aos felizes comensais que se atreverem a conseguir saborear todos os pratos que compõem o menu de degustação. E se aguentar ainda tem direito ao prémio - as sobremesas. Não dá para recusar, para coisas como doce de figos com amêndoas, arranja-se sempre um espaço. Quem disse que quantidade não pode ser qualidade?

Rui Fialho, o dono, cozinheiro que também serve às mesas, (familiar dos célebres Fialhos de Évora, sendo mais propriamente filho de Amor Fialho), trata da casa sozinho.

Impossível, pensarão. Como alguém toma conta de um restaurante sem mais ajudas? Parecendo difícil, não será tanto assim. O restaurante tem apenas dezoito lugares na sala de baixo, e dezasseis na sala de cima. Que serve somente caso haja reservas de grupos.

E existe ainda uma razão para estar sozinho. Sendo ele quem cozinha, gosta de sentir os clientes, perceber se estão a gostar, dar-lhes a atenção que merecem. Isto é mais um clube de cozinha, que propriamente um restaurante.

Mas lá por ser o filho do Fialho, “Não esperem vir encontrar uma espécie de franchising do restaurante Fialho de Évora. Aqui não há ensopados de borrego” explica o Rui. Pois não, não há, mas há coisas como: Camembert panado, peitos de frango recheados com farinheira e migas de brócolos.

Quanto aos vinhos, só existem alentejanos. O cozinheiro acha que é com estes que ligam as suas criações. Poderá haver um ou outro de outra região que ligue com os seus pratos, admite. Mas há que defender a sua terra.

Informação Detalhada

Tomás Parreiro 2003-11-04

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