O Douro passou finalmente a estar em moda no que diz respeito a restaurantes. Depois de um deserto de várias décadas, salvo apenas por pouquíssimas excepções, situadas numa área puramente tradicional, de cozinha simples e instalações ao mesmo nível, vê agora surgir, tanto na área hoteleira de luxo, e aqui esperamos para ver as grandes promessas que aí vêm, como finalmente na restauração propriamente dita, uma lufada de cozinha fresca.
O recentemente inaugurado D.O.C. já aqui figurou como mais do que merecida escolha. Hoje cabe a vez ao Douro In. E torna-se oportunamente mais apropriado o seu nome pela situação que em termos turísticos desde há pouco tempo envolve este maravilhoso Património da Humanidade.
Cozinha diferente com o Douro à vista
Foi na marginal da Régua, hoje carregada de barcos de todas as dimensões em percursos de cruzeiro fluvial que surgiu entre sócios a coragem de quebrar a ausência restaurativa do Douro.
E assim encontraram o lugar, que se provou ideal, mesmo em frente ao rio Douro, que foi decorado de uma forma inédita nesta região, seguindo padrões austeros, cadeiras de marca e não esquecendo, como é óbvio, o papel relevante do vinho.
Papel esse que se descobre não só na qualidade e variedade da carta como no tratamento e serviço em copos criteriosamente seleccionados. Na sala são visíveis garrafas de selecção que dão um toque “cosy” à linearidade da decoração. Também esta quebrada à noite, pela iluminação bem conseguida.
Entrando na diferença deste restaurante, há que explicar que procuraram, como hoje é tendência pelo resto do país, enquadrar os produtos originários da região, muitos deles caídos em desuso, tratando-os em algumas receitas meramente tradicionais como o bacalhau com broa e batata a murro e o cabritinho assado com arroz do forno, batatinhas e grelos salteados, este só aos domingos ou com encomenda prévia. Os míscaros e o azeite de Trás-os-Montes marcam também presença. Naquela que poderemos classificar como cozinha diferente, entram uma série de experiências que proporcionam escolha variada, a proporcionar visitas repetidas. E há tradições de várias cozinhas por onde seleccionar. Ficam os exemplos nas entradas, do creme de coentros com queijo da serra e crocante de presunto, a salda de couscous com pimentos e enchidos e o cannelloni de massa fillo recheado com alheira de Mirandela e agridoce quente de maçã, nestes dois casos um equilíbrio entre o produto tradicional e as técnicas mais recentes, ou, noutra vertente, a açorda fria de sapateira com carpaccio de bacalhau, molho de marisco e pesto de tomate, numa mistura arrojada.
Mafalda César Machado 2007-07-18