Quinta do Tarrio

E se de repente mergulhasse num conto de Sophia de Mello Breyner? A Quinta do Tarrio permite-nos recuperar muita da inocência perdida na nossa infância.

Uma fonte rodeada de mesinhas e cadeiras, um bosque encantado onde passeia uma égua muito meiga, dois cães que nos guiam a visita por este vale de sonhos. Mais à frente, uma plantação de kiwis que nos lembra o calor e a frescura daquele fruto verde florescente, depois o riacho que leva a água límpida até um prado, onde tudo é extenso, onde o alcance da vista se perde até adormecermos na nossa «velha infância»... Entrar na Quinta do Tarrio é, de facto, como entrar num país das maravilhas onde encontramos a toda a hora mais um recanto fascinante para descobrir. Comecemos por quem nos recebe, Marine, uma sueca de extrema simpatia e cabelos louros como devem ter as personagens nos contos de fadas. Encontramos primeiro uma grande sala, com uma mesa comprida que segura dois candelabros e está perante a janela envidraçada, que deixa entrar a paisagem da serra que não parece lugar algum pois é bonita demais para ser real. Passamos à segunda sala, de descanso, mas sem querer os nossos olhos continuam pregados à paisagem que nos acompanha na grande janela que preenche uma parede inteira da quinta. Descemos à adega e descobrimos um espaço antigo, com utensílios que servem para preparar um vinho da casa, actualmente apenas para o paladar de quem por lá passa...

Vamos finalmente lá fora. Tivemos sorte com o dia, estava claro e os raios de Sol faziam aquelas tonalidades engraçadas que nos habituámos a ver apenas em pinturas ou fotografias. Mas parecia mesmo que havia raios de Sol que iluminavam tudo e criavam autênticos feixes de luz por todo o lado. Primeiro, vamos visitar a zona dos quartos. Várias mesinhas com cadeiras circundam uma fonte que deve ser um alívio nos dias de maior calor. Mesinhas de ferro, com a tranquilidade de um espaço onde não há muito para fazer, apenas contemplar e descobrir cada vez mais. Os quatro quartos da quinta estão na parte térrea e são espaços organizados de forma bastante confortável. Particular é o facto de, como em qualquer lugar encantado, a água da torneira provir de uma fonte natural e ter um sabor muito bom, que apetece ficar a beber para sempre e levar garrafinhas daquela água quando de lá se sair...

Álvaro Cúria 2003-05-20

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