Quinta do Rio Dão
Ao contrário do que o nome sugere, esta não é uma tradicional quinta vinícola como há tantas na região do Dão. Não, esta é uma quinta de agroturismo. No fundo, são quatro casas rústicas reconstruídas por uma arquitecta e um engenheiro que decidiram trocar a vida urbana de Utrech, na Holanda, por um pouso tranquilo no campo. Quando chegaram a Portugal, compraram a Quinta do Rio Dão. Na época havia apenas um enorme terreno com casas abandonadas em ruínas cobertas de giestas e silvas. Depois, foi meter as mãos à obra e começaram a empreitada. Até fazerem isto que agora se vê. Deve ter sido uma trabalheira, mas valeu a pena.
Casa da Nogueira
A Casa da Nogueira, a primeira a ser edificada, é onde vivem os donos, embora tenha dois quartos duplos para alugar numa área independente. A sala, com lareira (aqui é obrigatório e comum às demais casas) é agradável e confortável quanto baste. De manhã, tem-se uma visão sobre o campo e sobre o rio Dão. Ambos os quartos têm boa vista, principalmente o do primeiro andar, assim como uma varanda e alpendre, onde apetece ficar horas a ler um livro depois do almoço. O quarto do rés-do-chão foi outrora a mercearia da aldeia, e do arco de pedra que sustenta o tecto, restou o gancho onde se penduravam os chouriços e presuntos.
Casa da Tília e das Mimosas
Quase junto ao rio, a Casa da Tília. Logo à entrada o velho forno a lenha secular onde ainda hoje se faz o pão e, nos dias de maior inspiração culinária, pizza. Na Tília é possível alugar a casa toda, ideal para grupos, ou então dois quartos mais um apartamento duplo. Mesmo junto a margem, a fachada coberta de heras bem agarradas do chão até ao telhado, faz as delícias de qualquer jardineiro. Lá dentro, o traço da decoração mantém-se com móveis de madeira a encher as divisões de grossas paredes de pedra.
Alguns metros mais acima, a Casa das Mimosas, quase junto à piscina, também ela bonita, só que em vez de quartos, aluga-se apenas dois apartamentos diferentes.
Casa da Abelenda
Se há males que vêm para bem, este deve ser um deles. Quando os proprietários compraram a quinta, decidiram também comprar outro terreno, longe do rio. Antes era só capim até ao dia que o fogo florestal de verão (tão comum em Portugal) veio por a nu, os pilares de pedra de uma outra casa. E já que de reconstruir se tratava, em menos de um ano ergueram uma belíssima casa no meio da mata, com os tais pilares a suportar a varanda de madeira, de onde, em dias de sorte e calma, até se conseguem ver javalis. O estilo de construção, idêntico às outras casas, permite albergar até oito adultos, isolados do mundo. A vista à volta, mata. E alguns metros mais abaixo, corre uma pequena ribeira que transborda de água no inverno e seca completamente no verão. Não é preciso mais para passar um fim de semana em cheio.
Xadrez, BTT, canoas e windsurf
Em frente à casa das Mimosas, parte do terreno relvado foi aproveitado para dar lugar ao enorme tabuleiro de xadrez ao ar livre, uma das paixões do proprietário. Nele podem jogar estátuas gigantes ou até mesmo crianças a fazer de peças. Enquanto isso, pode mergulhar piscina por sua conta e risco, ainda que se desaconselhe nesta época do ano.
Depois, claro, as inevitáveis BTT, ou não fossem os donos holandeses. Dentro da garagem da Casa das Mimosas existem mais de 10, sempre prontas para serem alugadas. O melhor é trilhar o caminho de terra batida que liga a quinta à estação de comboios de Santa Comba. O traçado é muito suave, com curvas amplas e poucas subidas e descidas. Se reparar com atenção, não é difícil perceber porquê. Há década atrás aquele era o antigo traçado da linha de comboio de Viseu, hoje extinta. E sem pedras nem carris, tornou-se numa interessante via verde, que rompe a mata e acompanha o rio ao longo de quilómetros.
Se não gosta de pedalar, não faz mal. Há canoas com pagaias, caiaques e até se pode aventurar no windsurf. No fim disto tudo, bom descanso.
N'Dalo Rocha 2001-12-12