Quinta do Rio Alva - Tábua

Menina do rio.

Há cerca de dois anos, a margem direita do Alva viu nascer uma nova casa de Turismo em Espaço Rural: a Quinta do Rio Alva. Erguida no lugar das ruínas da casa original, devolveu a vida a uma imensa propriedade familiar com 70 anos e quatro gerações de histórias para contar.

Bilhete de Identidade

Maria Gracinda Marques Gonçalves e as suas duas filhas, Ana Cármen e Alexandra, são as empreendedoras por detrás deste projecto. Foi o pai de Maria Gracinda que adquiriu aquela imensa propriedade nos anos 1930. Contava, na altura, com 29 anos de idade, e assim achou por bem aplicar algum do primeiro dinheiro ganhou em Lisboa, na actividade que a maior parte dos oriundos da região de Tábua foram exercer para a capital: a indústria da panificação. Desta forma, a família Marques Gonçalves tornou-se proprietária de umas largas dezenas (provavelmente perto da centena) de hectares de terra à beira de água, desde a Ponte das Secarias até à Praia Fluvial da Ronqueira (mais precisamente ao que era, na altura, o cais de extracção de areias). Aquilo que foram, em tempos, campos de milho (cuja rentabilidade foi sendo gravemente afectada pelas investidas constantes dos javalis) é hoje um vasto choupal que ondula ao sabor do vento, como que embalado pela melodia que o rio entoa no seu curso.

A casa actual foi construída de raiz, uma vez que a primeira estava já completamente em ruínas. No entanto, os trabalhos foram orientados como se de uma reconstrução se tratasse. Embora com algumas adaptações (pé direito mais alto, paredes reforçadas), a casa possui a estrutura original, da qual é impossível não destacar as duas imponentes varandas (ou alpendres) viradas para o rio, uma em cada piso. Não há calor que ali resista: a profusa vegetação e o corridinho constante das águas sobre as pedras do seu leito criam o enquadramento ideal para a mais absoluta tranquilidade.

Um passado muito presente

O revestimento exterior a xisto também foi repetido, de forma a respeitar o mais possível o figurino centenário que impera na região; nomeadamente, nos moinhos que aproveitam a força das águas do rio para produzir farinha. Um deles, em ruínas, mesmo ao lado da casa, pode muito bem vir a ser um dos próximos projectos da família, já que as memórias dos seus tempos de actividade falam alto. E, já agora, outro projecto poderá passar pelo imenso pinhal que se estende do "lado terra" da propriedade, do qual uma pequena porção foi já cedida à Junta Freguesia de Mouronho, que ali fez um Parque de Merendas.

Ana Marta Ramos 2006-08-30

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