Nos finais do século XI, os monges beneditinos, homens de trabalho, oração e recolhimento como reza a doutrina da Igreja, escolheram Amares para erguer o mosteiro de Santo André de Rendufe.
Dada a proximidade com a Quinta do Esquilo, é de visitá-lo, mesmo para quem não é adepto da arquitectura religiosa, e deixar que os olhos vão à procura de um século tão distante do nosso.
Noutros tempos muito recuados, esta quinta, conhecida pelos mais antigos como Quinta da Cova ou Quinta de Cima, foi retiro dos frades do mosteiro vizinho.
Quem também aqui habitou foi Augusto Soares, ministro dos Negócios Estrangeiros da 1.ª República, um dos signatários do Tratado de Versailles, o acordo de paz que pôs fim à I Guerra mundial.
Isto é História, imagine-se as lendas que não se ouviam, alimentadas pelo isolamento do sítio...
Comer e beber
Sempre que possível, conservaram-se as marcas do passado, de que é um feliz exemplo o edifício principal onde bar e restaurante se instalaram. É destino consensual quando o estômago começar a dar os primeiros ares de fraqueza e as gargantas pedirem algo fresco.
Nota-se o granito sovado pelo uso e pela acção dos elementos. A madeira do tecto em masseira, se não é a original, imita muito bem. A esta atmosfera clássica foram associados toques contemporâneos como dão conta as fotografias.
O restaurante, que se espalha por várias salas, oferece recantos tão especiais que é impossível aconselhar uma mesa. Junto às janelas, nas namoradeiras de pedra, liam os monges as leituras do dia. Hoje em dia o que se lê aqui é de outro cariz.
A ementa propõe cozinha regional como o Arroz de Pica no Chão e o forno a lenha assa quer o cabrito, quer o bacalhau. A jóia da coroa é o Pudim de Abade de Priscos, em homenagem ao freire de Vila Verde, e à localidade que está tão perto.
Perto fica ainda a esplanada do bar, indicada para um momento de pausa. Não é preciso mais.
Paula Oliveira Silva 2005-08-30