Quinta do Agrinho

Ao longe o Rio Cávado é um leito azul que reflecte o verde das encostas. Atrás desce aos socalcos a Quinta do Agrinho, marcada pela textura da pedra granito, do verde do Alto Minho e da aragem fresca que nos lembra o Gerês.

Depois de passar uma das pontes sobre o rio, apelidadas de «pontes do rio Caldo», não nos apercebemos que é um pouco mais à esquerda que temos que virar para este refúgio minhoto. Uma rampa muito acentuada dá acesso à casa principal da Quinta do Agrinho, uma casa por si só nortenha, de grandes paredes de granito e portadas de madeira clara. Vêem-se já as cortinas tricotadas dos quartos, cheira a Natureza, quer pela frescura da relva acabada de regar há pouco quer pelo ar leve, perfumado pelo aroma da terra molhada. Mas logo a seguir vem outra casa, desta vez com uma varanda de madeira ao longo da sua extensão. Em baixo, a sala de refeições da casa e o sorriso aberto de duas senhoras de lá perto. Há que descer ainda umas escadas de pedra, apertadas, cujas paredes e desníveis nos deixam entender que se trata de uma quinta antiga, para chegarmos a um espaço aberto, no primeiro socalco da caminhada até ao Rio Cávado. Aqui, o silêncio é cortado por gargalhadas de pessoas dispostas pela esplanada e pela piscina cuja vista alcança vales e montes do outro lado, todos eles pincelados de verdes, como se de um quadro impressionista se tratasse.

Deixamos a esplanada, onde um grupo entoava o refrão de uma música que nos lembrou uma festa de aldeia, e continuamos, descendo mais escadas para encontrar o segundo patamar. Sem querermos o som humano ficou lá em cima, já nada se ouve por aqui, a não ser água corrente. Mas o rio ainda tarda a aparecer... A água que ouvimos vem de uma fonte natural, escondida atrás do verde gelado da vegetação local. Uma água cristalina que parece vidro a correr. Depois de um gole encontramos mais uma casa, desta vez quartos emoldurados por madeira e relva. Descemos mais um pouco e um espigueiro convida-nos a entrar. Lá dentro, o espectáculo é fabuloso: o sol corta as ripas de madeira e penetra o espigueiro partindo-se em dezenas de feixes de luz que nos listam o corpo. Estamos sozinhos, olhamos lá para fora e vemos tudo, ou quase tudo... Não conseguimos ver o rio, apenas o pressentimos. Para isso, descemos mais, muito mais, e encontramos um cais de madeira onde a água nos é oferecida de forma pura, englobada por um espectáculo natural.

Álvaro Cúria 2002-10-22

Receba as melhores oportunidades no seu e-mail
Registe-se agora