Quinta das Lágrimas - Coimbra

Um hotel original, com muita classe e personalidade. Quase dentro da cidade, é um mundo à parte com jardins românticos e lendas de paixão entre príncipes e princesas.

Do portão à entrada, uma longa estrada de terra batida coberta pelas copas das árvores, conduz-nos à escadaria romântica do palácio. Estilo clássico, a lembrar os melhores châteaux franceses, com um encanto muito próprio. Entra-se na antecâmara que antecede a recepção, uma sala ampla com um enorme pé direito e tecto de madeira trabalhada com um candeeiro de velas. À direita, logo sobressai o grande manto azul que pende do tecto, onde está o brasão da casa que se exibe imponentemente.

Na recepção, numa sala mais discreta, destaca-se a original estátua de Inês de Castro, esculpida por José Cutileiro, junto às janelas com vista para o pátio central onde está uma agradável esplanada com mesas de ferro verde. Neste hotel que pertence à cadeia francesa Relais & Chateaux, há pormenores únicos de extremo bom gosto, que revelam que afinal esta era uma casa particular há escassos dez anos. Nos corredores, encontram-se quadros emoldurados, desenhos renascentistas de igrejas toscanas ou apenas dourados candelabros a luzir o brilho. Sobriedade com conta, peso e medida.

Jardins e lendas de amor

Os jardins são frondosos, com árvores grandes de espécies raras que o adornam em todo o seu esplendor. O local transmite paz interior e até uma certa aura romântica. Faz sentido, pois foi aqui onde se desenrolou a mais dramática história de amor de Portugal. A paixão proibida de Inês de Castro e Dom Pedro.

O jardim conta com duas fontes, a dos Amores e a das Lágrimas, que deu o nome à Quinta. E também há duas sequóias imponentes com quase 200 anos, oferecidas por Lord Wellington, aquando das guerras napoleónicas. E a árvore mais impressionante é a Figueira da Austrália, onde por entre as suas raízes se podem esconder crianças.

Salões

Como era tradição nas casas brasonadas, esta também tem capela própria, ainda que actualmente se encontre encerrada, pois o Bispo de Coimbra não autoriza a realização de missas. Para os hóspedes que gostam de meditar, apenas o varandim superior onde os antigos proprietários assistiam à missa (para não se misturarem com a plebe), continua acessível a quem quiser visitá-la.

Mudando de lugar, chega-se à sala da música, com um piano situado num dos extremos. Decorada com sofás, mesas de centro e de canto, abat-jours e até uma pequena secretária. O ambiente é sóbrio e requintado sem se tornar demasiado austero, talvez devido aos suaves cortinados rosa e o discreto papel de parede.

Para se ficar mais descontraído, o mais indicado é a varanda da biblioteca. Com cadeiras de vime vermelho, é sossegada, fresca e muito luminosa. Está-se bem aqui ao fim da tarde a bebericar um gin tónico, enquanto se olha para a alta de Coimbra que absorve os últimos raios de sol do crepúsculo. Uma das portas laterais deste longo corredor transformado em varanda é a da biblioteca, que se revela surpreendente.

N'Dalo Rocha 2002-04-23

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