À saída de Serpa, de carro ou de BTT, cruzam-se vários campos de cultivo. Esporadicamente alguma pêga azul atravessa a estrada no seu voo incerto. Até aqui nada de sobressaltos, mas poucos quilómetros depois, começam as surpresas...
Entra-se dentro do Parque Natural do Guadiana, onde o asfalto termina para dar lugar à terra batida. Inevitavelmente o pó levanta-se à passagem de quatro, ou até mesmo duas rodas. Há que ter cuidado e ir travando com o motor, pois quando se acelera muito, o carro foge.
De bicicleta fica mais fácil controlar, para além de ser bastante agradável pedalar no meio da natureza. A optar-se pela última hipótese, chapéu, protector, roupa confortável e muita, mas mesmo muita água, seriam a companhia mais do que certa.
Descendo o vale, desfruta-se da vista do alto dos desfiladeiros até que finalmente a estrada cruza o rio como um pequeno açude. Este é muito tranquilo, tem pouca corrente e, principalmente fica muito aquém das expectativas criadas, o que nos leva a perguntar: Se este é o Guadiana, onde estão as quedas de água?
Enquanto nos inquietamos nestas dúvidas, passa um velho agricultor montado no seu tractor que explica tratar-se apenas da ribeira de Santa Iria. O pulo do Lobo é em frente e agora, é voltar a subir a encosta e retomar o caminho certo, sempre em frente.
Descida ao rio
Mais alguns minutos de terra e pó e atingimos o objectivo: Pulo do Lobo. Desta vez é a valer. Do alto do monte, a panorâmica geral faz-nos perceber rapidamente o porquê do nome.
Trata-se de um estrangulamento geológico natural, onde o rio Guadiana se comprime, passando de repente dos cerca de 25 metros de largura, para os três metros. Nesta desproporção de espaço, o rio aperta-se e a corrente acelera e muito, para saltar sobre uma cascata com 15 metros de altura e seguidamente formar uma enorme lagoa natural.
REPORTAGEM ACTUALIZADA EM DEZEMBRO DE 2009
N'Dalo Rocha 2002-06-18