Porto de Mós

Há moinhos no cimo da serra, um castelo de vistas divinais e algumas das grutas mais bonitas de Portugal.

Porto de Mós

No jardim central junto ao rio Lena a vida corre devagar. Tudo está muito bem arranjado e bonito. Os taxistas discutem a bola entre eles, as velhotas fazem croché, os miúdos brincam no parque infantil. Por entre canteiros relvados, ao fundo encontramos a esplanada onde alguns estudantes conversam aproveitando o sol da tarde.

Junto ao posto de turismo onde fiz uma breve passagem para recolher informações da região, aproveito a sombra dos plátanos para me escudar dos raios de sol.

Decido comprar o jornal e aproximo-me do quiosque onde perturbo o ritmo do velho vendedor que escuta o seu rádio a pilhas. Do outro lado do jardim, uma construção moderna que dá pelo nome de Ecoteca, uma espécie de centro ecológico que nos elucida sobre o que esta região tem para descobrir em termos de Parque Natural de Serra de Aire e Candeeiros.

Porto de Mós não é muito grande e à parte da Igreja de S. Pedro, no largo do Rossio, toda restaurada na década de oitenta, o que se perfila dali como mais apelativo é o Castelo. De carro que é mais rápido e custa menos a subir, chego lá num ápice.

De origem medieval (séc. XIII), é uma edificação curiosa, meio castelo, meio palácio, que ao longo do tempo foi sofrendo várias transformações. No séc. XV foi adaptado a paço acastelado pelo Conde de Ourém e mais recentemente foi objecto de duas importantes recuperações, uma nos anos 40 e outra concluída no ano 2000.

Percorrendo os pátios, bastante aprazíveis, chego até às duas torres que dão acesso ao telhado. A principal curiosidade destas torres, elegantes e bem proporcionadas, é a sua cobertura de azulejos verdes, que conferem ao Castelo o tal aspecto apalaçado, diferente do comum.

Cá em cima, a vista é soberba e compensou o trabalho de subir. Agora tenho Porto de Mós aos meus pés. O vento sopra com alguma intensidade, mesmo assim, arrisco passar de um torreão para o outro através do telhado, que para além de ter um muro de protecção baixo, no outro lado não existe protecção. Menos mal que o chão é ligeiramente inclinado na direcção do muro, mas as condições de segurança são precárias. Cheio de medo, com vertigens, decido arriscar para chegar são e salvo ao outro lado. Prova superada, porque se não fosse assim, provavelmente não estaria a escrever estas linhas.

Esta região, ventosa por natureza, tem muitos moinhos, principalmente no cimo das serra. E no ponto mais elevado de Porto de Mós, encontramos um. Ainda se pode visitar, e quando o moleiro está explica-nos todo o processo de trituração das mós, a troco de uma ajudinha, para conservar a casa.

Curiosamente, mesmo por baixo do moinho, está a “Tasca”, um restaurante panorâmico onde não é mau pensado arriscar jantar. Quem sabe. De momento os planos são outros e ainda pretendo aproveitar o dia para conhecer algumas grutas da serra. A caminho.

Pela Fórnia, a caminho de Alvados

A caminho das grutas de Alvados, entro na Fórnia, esse magnífico vale completamente plano, rodeado de montanhas. Algumas casas, oliveiras e pequenos terrenos agrícolas compõe a paisagem. Dizem os arqueólogos que já esteve submersa e a avaliar por alguns dos fósseis que por aqui se encontram, como conchas do mar, devem ter razão. Para os entusiastas da BTT, a Fórnia tem um interesse adicional, pois aqui costuma realizar-se uma das provas do campeonato do mundo de downhill. Aliás, condições não faltam. Em tempos passados, houve aqui um pequeno caminho de ferro mineiro de via estreita que morria em Porto de Mós. Já não há carris, mas o rasto da via ficou. Fala-se em projectos para caminhos pedestres. Ficamos à espera, seria bonito.

Perdido nestas deambulações, lentamente vou chegando ao fundo da Fórnia, mais precisamente à aldeia de Alvados, que deu o nome às grutas. A partir de agora, são dois quilómetros a subir para visitar uma das mais bonitas grutas de Portugal.

N'Dalo Rocha 2003-10-14

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