Por terras do Oeste

Um bonito passeio das Caldas da Rainha até à Foz do Arelho, sem esquecer a magnífica Lagoa de Óbidos

As Caldas da Rainha

Fala-se dos bonecos de Rafael Bordalo Pinheiro e do hospital termal, mas as Caldas da Rainha têm muito mais para se ver. Tirando partido do facto de a cidade não ser muito grande, estaciona-se e anda-se a pé. O centro, ou melhor, a Praça da República, acolhe muitas vezes animadas feiras, constituindo sempre um motivo de interesse extra. Depois, calcorreiam-se a ruas balizadas por prédios dos finais do século XIX, princípios do XX, e algum até de idade mais recente. Mas sempre com uma mesma tipologia, com excepção das avenidas novas, lá para as bandas da estação de comboios, onde encontramos alguns mamarrachos.

Porém, a estação, merece um pouco mais de atenção, nem que seja apenas pelos seus bem cuidados painéis de azulejos, isto claro, para quem não aprecia o mundo ferroviário.

Mas o nome desta cidade está indelevelmente ligado às suas caldas de água quente, quando a Rainha Dona Leonor, no século XV, decidiu construir aquele que é para muitos o hospital termal mais antigo do mundo, no qual os doentes com doenças de pele se poderiam tratar.

Actualmente, os edifícios de cor amarelo torrado e de inspiração nórdica, já nada têm a ver com o original, pois derivam da reconstrução a que foi alvo nos séculos XVIII e XIX, não deixando na mesma de ser um marco na cidade, de estética discreta que não fere nada, muito pelo contrário.

Mais adiante, ainda próximo do hospital, chegamos ao Parque Dom Carlos I. Por lá, caminha-se pelos bonitos jardins, observam-se os patos e gansos do lago e, de vez em quando, cruzamo-nos com algum casal de adolescentes que namora descontraidamente num qualquer banco de jardim.

Deambulando, não é difícil dar com o Museu de José Malhoa, instalado num moderno edifício dos anos 40. Lá pode ver algumas das melhores colecções de pintura contemporânea, apreciando as obras de artistas que marcaram os séculos XIX e XX, como Alfredo Keil, Silva Porto e o próprio José Malhoa.

Quanto ao célebre caricaturista e criador da personagem do Zé Povinho, Rafael Bordalo Pinheiro, paradoxalmente não tem direito a museu próprio. Esse encontra-se em Lisboa, junto ao Campo Grande. Porém, se visitar o museu da fábrica de cerâmica, poderá ver algumas das melhores réplicas do mestre.

Vistas as atracções das Caldas, o destino seguinte é a Foz do Arelho. Segue-se pela N360, uma estrada bonita e muitas vezes enquadrada por casas e árvores. Estas últimas, plátanos na sua maioria, todas alinhadas, criam uma sombra protectora contra os raios solares que ao fim do dia, importunam os condutores. A viagem é curta, pouco mais de meia dúzia de quilómetros que se fazem em menos de 10 minutos, um quarto de hora se houver trânsito.

N'Dalo Rocha 2004-06-01

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