Por terras de Idanha

Conhecida na antiguidade como Egitania, Idanha-a-Velha, fundada no período do primeiro Imperador romano, Augusto, é um verdadeiro paraíso arqueológico. Saiba porquê!

Visitar Idanha

A bonita Sé Catedral em xisto com um ninho de cegonha num dos seus torreões, não nos faz supor que por debaixo daquelas pedras se escondem vestígios arqueológicos de cinco civilizações que marcaram a Península Ibérica. Pois, porque entre árabes, romanos, suevos, visigodos e cristãos, todos deixaram o seu testemunho nesta aldeia situada na margem direita do rio Pônsul.

Inexplicavelmente, ao fim do dia, Idanha-a-Velha parece irradiar uma luz especial, que invade a aldeia, reflectindo-se nas paredes das suas casas de cor bege. Talvez possa soar a exagero, mas é raro encontrar quem não goste do sítio.

Dos romanos, a primeira civilização que fundou o núcleo urbano, ainda se encontram um vasto legado, como a ponte romana dos três arcos, integrada na via romana que ligava Mérida a Astorga. Inicialmente, Idanha, ou melhor, Egitânia, foi fundada no século I, tendo sido refundada séculos depois, mais a norte do território. Concretamente, ainda hoje não se sabe ao certo aonde, mas há teorias que apontam para a Guarda.

Pela primeira vez

Quem cá vem pela primeira vez, entra pela porta norte, encontrando um muro baixo com ameias que integravam a antiga fortificação. Como a aldeia está a ser constantemente escavada, é preciso caminhar sobre uns pequenos varandins de alumínio, para se preservar todos os vestígios sem estragar. O que é perfeitamente compreensível e dá um ar de construção civil, como fossem andaimes.

Continuando a caminho do centro, sobre as ruas de calçadas, deparamo-nos com a casa Marrocos, solar de elegantes varandas e cantarias, que pertenceu a uma família abastada da terra. E em frente do palacete, irrompe do meio das pedras uma oliveira que insistiu teimosamente em ficar, após a rua ter sido empedrada. Avançando um pouco mais ainda, descobre-se o Lagar de Varas, curiosamente na rua do Lagar.

Outro do monumentos que merecem a pena uma visita é a torre dos Templários, obra assente num pódium, onde outrora repousava um templo romano. É curioso ver através da mestiçagem arquitectónica, onde se observa as fusões civilizacionais que por cá ocorreram.

Junto ao pelourinho, o centro nevrálgico da aldeia, reúnem-se alguns dos poucos habitantes, maioritariamente idosos que conversam entre si, enquanto observam com atenção alguns dos jovens arqueólogos que passam.

N'Dalo Rocha 2002-07-09

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