Percurso histórico pelos Arcos de Valdevez

Fazendo jus à ideia de Verde Minho, Arcos de Valdevez é uma vila encantada, algures encrustada num vale, salpicando a paisagem de casinhas de pedra.

O visitante que chega a Arcos de Valdevez depara-se com uma panóplia imensa de escolhas: a sua opção pode realizar-se entre contemplar um roteiro de verdes paisagens ou favorecer a sua visita com um percurso histórico por algumas das mais belas igrejas de Portugal. A Natureza convive, assim, de forma tranquila com a História milenar, em trajectos que se estendem por uma mancha de território de cerca de 450 quilómetros quadrados, fazendo deste um dos maiores concelhos do país. Central e aparecendo por todo o lado, o Rio Vez ganha papel de destaque neste lugar, onde tudo lhe aparece dedicado. A relação histórica entre a ocupação humana destes espaços e a organização natural destas mesmas paisagens assume no caso do vale do Rio Vez um papel de importância primordial. Por todo o lado os habitantes fixam-se em torno de áreas de regadio e de terrenos férteis que lhes proporcionam o rio. As comunidades humanas aproveitam o aparecimento desta dicotomia entre zonas de serra e de planície para iniciarem no vale do Vez o seu estabelecimento, tomando partido de tudo aquilo que o rio lhes dá. As primeiras colónias de habitantes aparecem no século III a.C. e podem ser ainda hoje constatadas nas dezenas de monumentos funerários, autênticos achados arqueológicos desta região, existentes no aro do Concelho. Também surgem vestígios diversos da ocupação romana, não apenas nos nomes dos lugares do concelho mas também na quantidade de castros que por lá se pode visitar, fortalezas defensivas habitacionais de grande importância naquela altura.

Já a Idade Média traz consigo uma nova forma de organização do território: as paróquias medievais e os primeiros mosteiros aproveitam nesta região o curso do rio, como são casos paradigmáticos os mosteiros de Ermelo e Santa Maria de Miranda. A montanha favorece, por seu lado, a dinamização da caça que, juntamente com um posicionamento próximo da fronteira, cedo levaram os monarcas a impulsionar a fixação de habitantes por esta zona. O número significativo de pontes demonstra a relação estreita com a vizinha Galiza. Entre elas, a Ponte sobre o Rio Vez, a ponte Vilela e o Cabreiro.

Apesar de abandonado em meados do século XIII, o castelo de Santa Cruz, em Vila Fonche, sobranceiro à actual vila, foi um dos primeiros elementos que levaram a que as populações se pudessem fixar por lá, uma vez que criou as infra-estruturas necessárias ao aparecimento de uma comunidade. A reforma liberal viria a traçar os actuais contornos do concelho de Arcos de Valdevez.


Roteiro Histórico

A Ponte Sobre o Rio Vez, também conhecida pelo nome de Ponte da Vila, é talvez das pontes mais características de toda a região Norte. É uma construção do século XIX, iniciada em 1876 e finalizada em 1880, que substituiu a antiga ponte medieval, da qual não restaram elementos arquitectónicos. Sabe-se apenas que o antigo monumento era constituído por quatro arcos, de volta redonda, apoiados em fortes pegões, sem olhais, e com talhamares. Existiam também duas rampas de acesso, que subiam desde cada uma das margens do rio Vez até um patamar plano. Daqui vem o nome da vila, sendo que o topónimo «Arcos» aparece já referenciado em 1258. A ponte sobre o rio Vez demonstrou ser um elemento de ligação essencial para o florescimento de toda a vila e de toda a região.

Álvaro Cúria 2003-04-29

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