Pelas Linhas de Torres em TT

Um passeio todo-o-terreno pelas linhas de Torres. Em versão fácil para quem só quer passear, e com alternativas para os "duros".

O passeio apresenta características muito diferentes, consoante seja feito com o piso seco ou na época das chuvas. Neste último caso, alguns troços poderão revelar-se dignos do Camel Trophy, exigindo pneus próprios para a lama e alguma experiência de condução fora de estrada. Na descrição do itinerário essas potenciais dificuldades serão assinaladas, de forma a que o passeio possa ser feito de uma forma tranquila em qualquer época do ano. Se, pelo contrário, quiser um passeio com alguma lama e bastantes peripécias, consulte a parte final do texto, onde, encontrará as diversas alternativas para evitar o alcatrão e continuar pelo caminho mais aventuroso. De qualquer das formas, tenha presente que com o piso seco, o percurso, mesmo na «versão integral» e sem cortes não apresentará dificuldades de maior. A primeira parte do itinerário desenrola-se no extremo oriental da Segunda Linha, mais precisamente entre Cabeço de Montachique e o forte da Aguieira (Alverca). Depois de uma ligação por asfalto, segue-se para a zona intermédia da Primeira Linha, pelo Forte do Alqueidão, junto ao Sobral de Monte Agraço e daí para a Serra do Socorro e a hipótese de fazer os seus longos corta-fogos. Daí resta cumprir uma tranquila ligação por asfalto até Torres Vedras e concluir a viagem no Forte de São Vicente, o único das Linhas a ter sido objecto de integral recuperação.

Para iniciar o passeio, saia de Lisboa pela A8, na direcção de Loures. Abandone a A8 antes das portagens, direcção Loures. Corte à esquerda no encontro com a EN115, tomando a direcção Loures. Cerca de 1 km depois, vire à direita para a EN374, direcção Cabeço de Montachique e começe a subir paralelo à autoestrada. Antes de Cabeço de Montachique, saia à direita para Fanhões e logo novamente à direita para estrada secundária em alcatrão. À esquerda desta, vê-se um estradão que arranca para leste à beira da crista. Aí se inicia o primeiro troço de TT. O caminho vai sempre ladeando a crista rochosa, vendo-se em baixo o vale do Freixial. Nalguns pontos ainda existe a calçada da antiga estrada militar. Tenha atenção a um ou outro lamaçal com regueiras fundas que não será difícil de ladear e em breve estará junto ao Forte das Ribas, ainda em razoável estado de conservação. Possuía quatro peças e 300 soldados, tendo como finalidade interditar o acesso do inimigo ao desfiladeiro do Freixial, bem visível logo a leste e por onde os franceses poderiam tentar subir até à cumeada.

Prossiga já a descer, passando junto a uma encosta que a Junta de Freguesia de Fanhões está a tentar reflorestar e a uma série de postes de electricidade ainda desmontados. À esquerda verá um caminho secundário em terra que desce sinuoso para um estradão. Se tem experiência de TT e pneus adequados pode divertir-se a tentar descê-lo em redutoras. Caso contrário continue a descer pelo caminho principal até encontrar o estradão e vire à esquerda para este, passando junto ao enfiamento do trilho atrás referido. Umas dezenas de metros adiante, junto à última casa do lado esquerdo siga em frente pelo estradão (se quiser a versão «dura», veja no fim do texto a ALTERNATIVA 1). Desça pela aldeia de Ribas até à EN116 que deverá tomar para a direita até Bucelas. No centro desta vila, junto à igreja, vire à direita para Loures e Tojal e siga, paralelo ao rio Trancão e à CREL. Passe o viaduto sob a CREL, atravesse a ponte sobre o rio e continue pela estrada principal mais cerca de 1 km até ao desvio para a aldeia do Zambujal (à esquerda). O percurso principal conflui aqui com a ALTERNATIVA 1. Atravesse o Zambujal (atenção a uma zona muito estreita entre casas) e bem no centro, junto ao fontanário, suba à esquerda e passe junto aos Bombeiros. Continue a subir e entronque à esquerda, prosseguindo por essa rua, até o alcatrão passar a terra. Continue em frente, começando a subir a serra com boa vista à direita sobre o vale do Trancão, sendo bem visível em baixo o MARL (Mercado Abastecedor da Região de Lisboa). Deixe algumas alternativas à esquerda que não levam a lado nenhum e num ponto onde a pista bifurca de forma evidente, suba pela esquerda. No alto, depois de passar junto a umas casas do lado direito, entronque à direita num estradão que segue paralelo à vedação da pedreira. Se olhar para trás, verá um moinho, provavelmente utilizado no esquema defensivo montado em 1809 pelas tropas luso-britânicas. Se andar até lá verá o desfiladeiro de Bucelas em cujo fundo correm a CREL, o Trancão e a estrada vinda de Bucelas, podendo ainda distinguir na encosta contrária a sub-estação eléctrica do Mosqueiro e o caminho uilizado na ALTERNATIVA 1 para descer até ao asfalto.

Rui Cardoso 2002-02-27

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